sábado, 9 de fevereiro de 2013

Mais que confortante, é viciante!

Uma ponta na ponta.
Na ponta do estômago
do coração, da cabeça ou do corpo
é de fato uma pontada!

Ah, dói, dói na alma.
Dói na essência.
Ah, não se dissipa.
Dói que se vê.

Eu não pedi que parasse.
Faz favor demônio,
volte aqui com essa faca.

Sua voz me soa ao fundo.
Me entorpece, me adormece.
Eu penso que é calmante.
Mas em verdade é ensurdessante.

Eu já disse, não pedi que fosse embora.
Eu quero sentir essa dor até o fim.
E eu não quero que tenha fim.
Não até o fim...

Não até eu dizer que acabou.
Dizer que agora pode ir.
E eu posso, a qualquer momento,
pedir que vá.
Mas fique, fique até nunca mais!

Talvez seja triste.

Já não sinto mais o corpo
O ar aqui já é mais que rarefeito
e de tempos em tempos posso sentir.

Não sei se sinto de fato
talvez sejam só devaneios mais que devaneios.
É uma pressão contra meu corpo
Deve ser a terra que fora jogada em meus restos.

Não estou morta!
Preste atenção, não estou morta.
Mas vocês estão me matando viva.
Já posso sentir os vermes que assim como vocês
querem que eu seja decomposta.

Eu me esforço.
Preciso voltar à superfície.
Mas já não é mais possível.
Sou eu contra o mundo.
E eu não tenho um Deus.
Sou eu, só eu mesma.

Espero apenas que chova.
Torrencialmente.
Quero ter calos e senti-los doer.
Quero sentir apenas uma última massagem.
Quero apenas poder observar o belo.
Já não preciso mais vivê-lo.
Por mim tudo bem, vocês venceram.

A garota da barriga cheia.

Ela vivia com a barriga cheia, comia um grão de arroz e já sentia a barriga pesar.
- Vamos sair? - Era a pergunta que mais fazia a barriga pesar. 
 Corria pra cozinha e tratava de tomar um bom copo d'água. "Não posso, estou de barriga cheia" pensava. 
 Quase sempre era de propósito que ela enchia a barriga, mas não tinha como evitar, pois sabia que a barriga enchia com qualquer coisa e precisava se alimentar. Por conta disso a garota da barriga cheia já não mais saia de casa, pois de tanto recusar os convites a sua barriga ficou ainda mais cheia por ainda menos. Até que um dia se cansou e resolveu sair, foi repetindo o ato com frequência, até a barriga já não mais encher.

Ela é sagitariana.

Me empurra e me puxa.
Me puxa e me repuxa.
Me faz e me desfaz.
Desfaz e refaz.
Ah, quanta maestria.
Num moldar quase imperceptível.
Ela sabe que poderia...

Poderia ir de prosa à poesia.
Assim, num passe de mágica.
Sem muita esgueiria.

Seus dedos, aqueles dedos.
Delicados como seu olhar.
Não se pode piscar.
Olhe bem para a maravilha de Eros.

Não carece correção.
Já veio perfeita assim, desfeita.
E no refazer ficou ainda melhor.
Aleatoriamente padronizada em seu padrão.

Eu termino por aqui.
Sem muito sucesso
meu elogio à minha querida
Sagitariana de Eros.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

... mas talvez eu não seja.

 Fora uma noite calma, na verdade, uma noite mentirosa. Nada teve de calma, enquanto o silêncio prevalecia nos ali presentes o despertar acontecia - mesmo sem o dia antes amanhecer. - na mente - não tão - perturbada de uma garotinha - talvez de mais de uma -.
 - Espero que você tenha tido tempo suficiente.
 A garota que agora já não mais conseguia acompanhar o fingimento do escuro abre os olhos enquanto força suas mãos contra o peitoral. - Está tudo bem, está tudo bem. É só mais um sonho, um sonho... - pensa e repensa na esperança de que seja a verdade.
 - Eu não tenho todo o tempo do mundo - Tá, eu tenho, mas vai lá saber quanto tempo o mundo tem - zomba. Aliás, me diga, já está pronta para conhecer o mundo?
 Agora de olhos já abertos o medo se foi, não sabe bem o que está vendo mas gosta, sente seu coração bater forte e um gelado no rosto que poderia dizer ser o vento se não fossem a janela e porta fechadas.
 - Com os olhos fechados é mesmo mais difícil, não sabemos o que está acontecendo e a nossa imaginação escolhe os piores - melhores - momentos para ser fértil. Fico feliz que esteja finalmente pronta.
 - O... o que é você? - Gaguejou a menina, num tom menos de medo do que de curiosidade.
 Um riso breve é ouvido. - O que? O que sou eu? Mas que falta de educação! Não seria de mais pompa perguntar-me quem sou?
 A garota apenas acenou que sim, e agora com seus olhos bem abertos tentava distinguir o que via, um conjunto de sombras, um borrão mais escuro que o outro, quase uma silhueta - se não fossem pelos espinhos...- Você, você tem pontas?
 A criatura sorriu e tocou nas "pontas" - Está se referindo à isso? -. Eram como espinhos, grossos e pontudos, um saia do lado esquerdo do peito, alguns das pernas e nas costas das mãos mais outros. - Quer mesmo saber o que são? - Não esperou pela resposta. - Eu os adquiri em batalhas, sabe, quando eu ainda era meio que você. Acontece que eu não sabia que essas batalhas - vencidas ou não - me faziam mal, e eu só fui descobrir ao me tornar o que sou agora, já cheia desses espinhos.
 A criança, agora potencialmente assustada e de olhos cada vez mais arregalados - como isso é possível? - perguntou com a voz vacilante. - Eu um dia serei como você?
 Agora a criatura vira de costas, e por conta do amanhecer os vãos da porta e janela trazem frestas de luz ao quarto, tornando possível ver que falta algo. As costas, são como um grande buraco negro, estão ali, no formato como devem ser, mas não é sólido, é como se te engolisse e te mandasse do nada ao infinito e do infinito à coisa alguma, num ciclo sem fim. - Eu sou você, eu sou todos vocês, eu sou Deus, eu sou o Universo, e infelizmente, eu sou um sonho; talvez um pesadelo. Eu sou...

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Análise, trabalho de férias.

O texto analisado - Introdução à vida não fascista - fora tirado do livro "Por uma vida não fascista" de Michel Foucault.


 Na Europa, entre os anos de 1945 e 1965, para que se fosse considerado culto, digno de enunciar partes da verdade sobre si e sua época era preciso seguir um padrão. Concordar em número grau e gênero com Marx, compreender Freud e tratar com o maior respeito os significantes da época.
  Houve no Vietnã durante cinco anos, o que Foucault chamou de “o primeiro golpe em direção aos poderes constituídos”, isto é, um golpe que deixou o que era até então conhecido e aceito como forma única de poder fora posto em dúvida. Enquanto na Europa passava-se uma confusa mistura de um poder anti-repressivo revolucionário e uma guerra onde estavam na vanguarda a exploração social e a repressão psíquica. Possivelmente um desejo posto pelo conflito de classes. E por conta disso, dessa interpretação dualista, torna-se plausível a explicação do que foram os anos mais utópicos da Europa, quando a Alemanha de Wilhem Reich e a França dos surrealistas retornam abraçando Marx e Freud, juntos por uma só causa.
 Agora o combate entre o movimento dos que não se conformavam com o modelo marxista de política e o desejo que não era mais freudiano foi-se ter em novos horizontes. Deixando em dúvida se era mesmo uma retomada do projeto utópico doa anos trinta pela sociedade.
 O Anti-Édipo chega para nos incitar a ir mais longe, além de Freud e apenas Freud; não faz pouco dos mais velhos, apenas nos faz ir além.
 Não é, entretanto, para tomar o Anti-Édipo como uma nova bula a ser seguida, isso seria um erro.  Não é para toma-lo como o certo e somente ele. É para ser visto como um englobamento de novas profusões noções e conceito, uma junção de conceitos. Para melhor ser compreendido, deve ser tomado como arte. De onde surgem questões que vêm mais para responder como do que o porque.
 O livro nos dá três adversários com os quais se confronta que não têm a mesma força e representam graus diferentes de ameaça. Com os quais Anti-Édipo lida de formas diferentes.  São, basicamente, os que detêm o poder em suas mãos de maneira tão errada, tomando a parte pelo todo e os unificando mais e mais. Sendo cada vez menos passíveis de mudanças e rotuladores de tudo desde um objeto até nome de todos os sentimentos e desejos humanos. Tendo como o principal adversário o fascismo, não somente o tão conhecido de Hitler e Mussoline, mas o que nós, nós todos, cometemos em nosso dia-a-dia, nos fazendo amar o poder.
 É tido como um livro ético, o primeiro escrito na França – seja talvez essa a razão de ser tão importante, ter-se tornado não mais só um livro, um estilo de vida -. Ensina-nos a desencravarmos de nós mesmos as tão diversas formas de fascismo.
 Em homenagem a São Francisco de Sales, o autor diz ser ó Anti-Édipo uma Introdução à uma vida não fascista.
 Diz ainda ser necessário seguir alguns princípios para que se viva uma vida contrária a todas as formas de fascismo, enumerando uma série destes como se fizesse um guia para uma vida cotidiana e que aqui poderíamos resumir dessa forma:
- Não à política totalizante.
 - Espalhe os desejos por justaposição, disjunção e proliferação, mais do que uma organização hierarquizada piramidalmente.
 - Considere um governo nômade, que se molda conforme as necessidades. Liberte-se da lei, a castração, a falta, que proveio do tão antigo pensamento Ocidental.
 - Entenda que é a ligação do desejo com a realidade que torna possível a revolução e por conta disso não ache que é preciso ser triste para ser militante.
 - Não ponha o pensamento como apenas especulação, torne-o aliado da política, intensifique-o, como um multiplicador das formas e dos domínios de intervenção da ação política.
 - “Desindividualize” e passe a multiplicar, aceite o deslocamento e os diversos agenciamentos.
- Não ame o poder.
 Enfim, neste livro os autores não usam de galanteios para seduzir o leitor, fazendo com que este passe a compartilhar da mesma opinião contra sua própria vontade. Ao contrário, eles convidam, mas também deixam a porta aberta para que o leitor saia caso assim queira. Persegue de todas as formas possíveis o fascismo, mesmo aquelas que passam quase que despercebidas.

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

O Perigo.

 Eu já havia dito hoje mais cedo - Você é um perigo. -, hoje mais tarde eu pensei, não só pensei, eu disse, disse em meus sonhos, aqueles nos quais só tenho encontrado você. Dessa vez eu pude contemplar seu sorriso, já não haviam mais barreiras, eu pude ver absolutamente tudo e no fim dum longo suspiro eu finalmente, novamente, disse - Você é um perigo. -, agora um ainda maior, as vezes nas quais eu sorrir, como reflexo virá à mim o seu sorriso. E eu prometo, eu prometo não parar de sorrir até que um novo devaneio me tome desse mergulho.
 Vou passar a escrevê-lo por aqui, não sei bem o que mais você realmente é, não vou me delongar em descrições. Eu quero é discrição. Mas posso dizer sem dúvidas, você é um perigo.
Eu quero correr esse perigo.

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

"Passa então a amar tudo aquilo que não ganhou[...]"

Eu não preciso - mas vou - me explicar quanto ao título. Não tem muito - entenda bem as entrelinhas - a ver de fato com o texto de onde fora tirado. Mas tem, tem muito; é o começo, bem no início antes de começar a leitura, naquele silêncio preenchido de "o que está por vir?". Você me veio, me chegou e sentou, acontece que eu me perdi no tempo e esqueci de tirar o binóculo, depois de tirado pude perceber quão longe você realmente estava. Talvez seja mesmo isso, eu te amo porque não te tenho. É. Eu tenho dessas, pouco do que mais amo me pertence no plano real, não me importa, eu sempre gostei das coisas mais surreais. Por favor, não me diga que você é real, se você for e estiver mentindo continue a me enganar, está tão bom, tão bom, tão bom.... Eu posso te sentir na minha alma, eu não sei o que ou quem é você, nem sei se é. Mas posso sentir, sei que eu pertenço à você e não o contrário, eu gosto assim, eu prefiro assim, é quase como um deus, posso sentir suas mãos maestrando acima das minhas vontades, quase acredito em destino.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Um recado à mim mesma[...]

Não se deixe morrer, não se deixe perder, e se perder ache-se, por favor, encontre-se. Eu juro, não estou tão longe, por favor, vire no próximo e retorno e venha me restituir à sua vida se for mesmo o caso de ter-me perdido.
Não falarei de valores, moralidades e princípios a seguir - eu mudo a cada segundo, não posso falar n'algo concreto e duradouro, tenho problemas com cousas duradouras, sou imediatamente intensa demais! -, falo apenas em felicidade, por favor, esqueça todo o mundo ao seu redor e pergunte-se quanto a sua felicidade, é só isso que importa, só isso e mais nada, junto dela já vem todo o resto necessário.

[...]porque são necessárias certas precauções. Não tenho muita certeza de quase nada. Eu acho que não sei e também não sei se acho. Não me imponho limites e menos ainda conveniências, isso é ótimo, é uma delícia e é também perigoso. Por isso são necessários os recados colados na geladeira e todo o resto, eu preciso lembrar-me do que realmente importa todos os dias porque pessoas hiperativas costumam perder o foco com muita facilidade.

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Ela é Sagitariana

 "A cumulo nimbo já está aposta, os raios reluzentes - agora não tão mais reluzentes - já não nos chegam à face. Agora sinto o cheiro e o vento a cortar em meus cabelos com mais ferocidade a cada segundo, como numa contagem regressiva na qual o entusiasmo na voz aumenta com a chegada do fim. É o fim, não pra mim, é o fim pra à ti. 
 O primeiro contato se deu e eu posso ver que isso fere como ácido aquele tão bem moldado rosto. Oh minha querida, não chore, mesmo a morte pode ser bonita, basta fixar seus olhos n'outro ponto. Não chore, venha, eu prometo lhe cobrir até que a tempestade cesse." 
 O trecho supracitado foi um pensamento solto ao andar na chuva hoje à tarde. Claro, não foi exatamente assim, estava melhor quando pensamento, assim como todo o resto, as palavras originais também são sempre melhores. 
 E hoje mais cedo, ao te dizer quão difícil estava a situação foi uma alusão implícita ao fato de ver-te todos os dias, imagine só... Não, não imagine, é muito difícil.
 Não importa, de qualquer maneira, gosto de sua companhia.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Nesse caso o mais não é positivo.

De tanto embelezar-se, protelando contra a vida real enrustida em seu medo de enfrentá-la - como ruim que era à ela -, acabou por tornar-se só mais uma... Só mais uma!
De tudo foi dado para que este rumo não fosse tomado. Antes o nada, talvez isso devesse bastar - e bastaria! - caso o tudo não lhe tivesse ido de graça.