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quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Naquele Quarto Branco FINAL

 Sentadas e já chorando na cama de Anne Claire terminou aquela aterrorizante descrição do sonho que Luna, sua mãe, tivera na noite anterior.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Naquele Quarto Branco Part.3

... e de repente se viu ali, com o sangue  de seu marido nas mãos, gritando de desespero ao perceber ele ali caído no chão. Seus filhos descem a escada assustados com a gritaria histérica e se deparam com aquela cena, a vontade que todos têm é de sumir, acordar daquele pesadelo, mas não dava, a cozinha ensanguentada era real, aquele homem caído ao chão era real!
 Naquele mesmo instante a filha de 21 anos teve a certeza de que foi um erro tirar sua mãe daquela clinica, eles não podiam ter parado o tratamento no meio... E agora... Agora?... Era tarde, muito tarde, ele já estava morto, e poderia até ter sido pior, poderião estar os dois mortos... E agora... E Agora?... Sua mãe seria presa, seu seria enterrado... E agora? ...E agora?... Seu irmão? Ah sim, aquele pequeno garotinho de apenas 5 que nem mesmo tivera conhecido sua mãe lúcida tinha agora além de uma mãe esquisofrenica tinha também um pai morto. Qual era pior? Nunca ter conhecido sua mãe lúcida? Aquela que costumava receber muitos assobios ao sair na rua, exibindo aqueles cabelos negros e lisos que percorriam seu corpo até sua cintura, aquela pele de pêssego... Com certeza uma linda mulher, mas seu filho não a conhecera assim, veio ao mundo com uma mãe desordenada, o cabelo já não brilhava tanto, o azul de seus olhos já estavam apagados pelas olheiras que os rodeavam; ou será que era pior ficar órfão de pai aos 5 anos? Aquele pai tão presente antes de ter que virar toda sua atenção para sua esposa, aquele que fazia caretas e brincava o dia todo com sua filha?

domingo, 12 de setembro de 2010

Naquele Quarto Branco Part.2

 Ficou ali olhando por horas, deixando-se levar pelas lembranças. Lembranças estas que já não se permitia ter havia muito! Contornava aquela imagem com seus dedos, a cada lembrança uma nova lágrima escorria em seu rosto, era tão bom ter vivido tudo aquilo, tão bom ter presenciado tudo aquilo, mas e agora? Agora ele estava morto, ela o matara, como pudera ela ter cometido tal crueldade?
 Deixou o retrato escorregar por entre seus dedos até que ele parou repousado em seu lado na cama. Não tenho esse direito, não tenho o direito nem mesmo de pensar nele.- Disse ela pra si mesma.
 Após repetidas vezes dizer isso para si mesma se deitou e adormeceu, naquele quarto frio, com aquela cama fria e dura, e ao seu redor só podia ver o branco, somente isso, aquele quarto incalculavelmente branco.
 Era tudo tão estranho, tudo tão alucinante, as vezes pensava que a vida que tivera antes de ir parar naquele quarto não passou de um sonho, uma peça que seu subconsciente lhe pregara!
 Já não aguentava mais todos os dias repetidas vezes ter aquele mesmo sonho, aquele quarto branco girando em volta dela, com aqueles vultos a acusando, deixando cada vez mais clara a culpa que ela carregava e tanto queria esquecer, mas não, nunca iria conseguir esquecer, fazia parte do seu subconsciente, aquele individuo que apontava seus erros toda noite, todo segundo fazendo-a lembrar daquele dia, o dia em que iniciou-se a era sombria em sua vida, o ultimo de seus dias felizes, aqueles dos quais guardava somente suas lembranças e aquele retrato: - Nããão, não faça isso sou eu, sou eu, tenha misericórdia, eu te amo, acalme-se...- E ele gritava sem parar, cheirando a medo, enquanto ela só queria matá-lo, somente isso, somente isso...

sábado, 11 de setembro de 2010

Naquele Quarto Branco

 Ela então acordou e percebeu seus braços amarrados e sua boca amordaçada, sentada naquela cadeira, sentia um cheiro estranho, na verdade não era cheiro, era somente estranho, pois não cheirava a nada, e quando com muita dificuldade conseguiu abrir seus olhos percebeu, de inicio parecia que estava no meio do nada, mas então seus olhos foram se adaptando aquela claridade extrema e viu que estava em um quarto branco, totalmente branco, era como se ela estivesse olhando diretamente para a luz. As paredes eram estofadas, e ao passo que percebeu isto bastou só um segundo pra se desesperar. Estou louca, -pensou ela-, Me prenderam aqui a força e agora não me lembro de nada! Pensou já enquanto começava a chorar.
 De repente se viu sentada em sua cama, suando, estupefata com a situação em que se encontrara a segundos atrás, percebeu sua respiração ofegante e tentou acalmar-se. Foi só um sonho, só um sonho. Repetindo isso para si inúmeras vezes tentou então acalmar-se e assim pegou no sono novamente.
 - Corra, fuja, não fique aí, saia deste mundo, está presa nele eternamente e se não perceber a tempo irá continuar vivendo está ilusão. - Foi isso que Luna ouviu ao longe após ter pego no sono, e ouvindo isso novamente entrou em desespero e tentou acordar, mas dessa vez não conseguiu, e repentemente se viu em uma sala branca novamente, a mesma de antes, só que desta vez ela girava, ficava girando enquanto Luna ficava ali parada tentando entender algo, quando viu vultos que começaram a falar com ela:
 -Sou eu, sua consciência,ou melhor, seu inconsciente, não adianta tentar fugir, nem mesmo prender-me, estarei sempre aqui, sempre aqui - a voz começou se distanciar - você é digna de pena, não adianta fugir, irei atrás você querendo ou não - Cda vez mais longe, quando novamente ela acordou em sua cama suada, com lágrimas nos olhos e a respiração ofegante.
  Lembrou-se da voz...


...Não adianta fugir!