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sábado, 9 de fevereiro de 2013

A garota da barriga cheia.

Ela vivia com a barriga cheia, comia um grão de arroz e já sentia a barriga pesar.
- Vamos sair? - Era a pergunta que mais fazia a barriga pesar. 
 Corria pra cozinha e tratava de tomar um bom copo d'água. "Não posso, estou de barriga cheia" pensava. 
 Quase sempre era de propósito que ela enchia a barriga, mas não tinha como evitar, pois sabia que a barriga enchia com qualquer coisa e precisava se alimentar. Por conta disso a garota da barriga cheia já não mais saia de casa, pois de tanto recusar os convites a sua barriga ficou ainda mais cheia por ainda menos. Até que um dia se cansou e resolveu sair, foi repetindo o ato com frequência, até a barriga já não mais encher.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

... mas talvez eu não seja.

 Fora uma noite calma, na verdade, uma noite mentirosa. Nada teve de calma, enquanto o silêncio prevalecia nos ali presentes o despertar acontecia - mesmo sem o dia antes amanhecer. - na mente - não tão - perturbada de uma garotinha - talvez de mais de uma -.
 - Espero que você tenha tido tempo suficiente.
 A garota que agora já não mais conseguia acompanhar o fingimento do escuro abre os olhos enquanto força suas mãos contra o peitoral. - Está tudo bem, está tudo bem. É só mais um sonho, um sonho... - pensa e repensa na esperança de que seja a verdade.
 - Eu não tenho todo o tempo do mundo - Tá, eu tenho, mas vai lá saber quanto tempo o mundo tem - zomba. Aliás, me diga, já está pronta para conhecer o mundo?
 Agora de olhos já abertos o medo se foi, não sabe bem o que está vendo mas gosta, sente seu coração bater forte e um gelado no rosto que poderia dizer ser o vento se não fossem a janela e porta fechadas.
 - Com os olhos fechados é mesmo mais difícil, não sabemos o que está acontecendo e a nossa imaginação escolhe os piores - melhores - momentos para ser fértil. Fico feliz que esteja finalmente pronta.
 - O... o que é você? - Gaguejou a menina, num tom menos de medo do que de curiosidade.
 Um riso breve é ouvido. - O que? O que sou eu? Mas que falta de educação! Não seria de mais pompa perguntar-me quem sou?
 A garota apenas acenou que sim, e agora com seus olhos bem abertos tentava distinguir o que via, um conjunto de sombras, um borrão mais escuro que o outro, quase uma silhueta - se não fossem pelos espinhos...- Você, você tem pontas?
 A criatura sorriu e tocou nas "pontas" - Está se referindo à isso? -. Eram como espinhos, grossos e pontudos, um saia do lado esquerdo do peito, alguns das pernas e nas costas das mãos mais outros. - Quer mesmo saber o que são? - Não esperou pela resposta. - Eu os adquiri em batalhas, sabe, quando eu ainda era meio que você. Acontece que eu não sabia que essas batalhas - vencidas ou não - me faziam mal, e eu só fui descobrir ao me tornar o que sou agora, já cheia desses espinhos.
 A criança, agora potencialmente assustada e de olhos cada vez mais arregalados - como isso é possível? - perguntou com a voz vacilante. - Eu um dia serei como você?
 Agora a criatura vira de costas, e por conta do amanhecer os vãos da porta e janela trazem frestas de luz ao quarto, tornando possível ver que falta algo. As costas, são como um grande buraco negro, estão ali, no formato como devem ser, mas não é sólido, é como se te engolisse e te mandasse do nada ao infinito e do infinito à coisa alguma, num ciclo sem fim. - Eu sou você, eu sou todos vocês, eu sou Deus, eu sou o Universo, e infelizmente, eu sou um sonho; talvez um pesadelo. Eu sou...

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Já não me lembro qual costumava ser o seu titulo...

... e pra não ser tão explícita. Que comece... termine.
 Hoje abri aquela caixa antiga, aquela que costumava ficar exposta na nossa sala, aquela cuja qual eu menti dizendo que havia jogado-a fora assim que você se foi.
 A verdade é que eu a escondi onde nem mesmo eu tivesse fácil acessoe resolvi acessá-lo hoje.
 Estava cheia de "trecos", coisas velhas. Nem eu imaginava a antiquaria na qual aquilo havia se tornado.
 Mentira! Você sabe, não faz tanto tempo assim. Acontece que eu as havia posto num lugar tão fundo em minha mente que parecia já não mais existir.
 É verdade, você como você não me faz falta, hoje eu já nem quero sentir seu cheiro. Ouvi dizer que seu perfume agora é doce demais, suas roupas novas demais e seu cabelo tá com um corte novo. Mas ah!, que falta me faz aquela dos bilhetes que reencontrei naquela caixa! Céus!!!, eu reli quase tudo, e UAU, me senti como se eu fosse mesmo como outra pessoa ao seu lado, e até mesmo você também mudasse ao meu lado. "Você está aqui pra me provar que eu posso entregar-me totalmente à alguém, de olhos fechados e braços atados; eu sei que você vai me segurar!". Lembra-se? Pois é, eu não me lembrava de ter sido capaz um dia de confiar totalmente em você, parabéns, você conquistou e jogou tudo fora. - Fiquei até com vontade de rir. - Isso me lembrou a conversa que tive hoje mais cedo sobre os ricos: eles têm tudo e não dão valor geralmente ganhando mais e mais; enquanto os pobres, bom, nós sabemos. A questão é que você me tinha por inteira, totalmente em suas mãos e - inexplicavelmente - isso se intensificava a cada dia! Até que - voi la - como numa bomba foi-se tudo duma só vez. Parabéns novamente. Mas principalmente parabéns a mim, que consegui me recompor e - acredite ou não - tenho novamente a capacidade de acreditar totalmente em alguém - não em você, é claro! -, e por conta disso: parabéns e obrigada.
                                                                      -
 Isso não é uma história de amor, não de amor com troca de saliva. É um breviário duma bomba, nada muito conhecido, é uma bomba muito rara e cara - impagável - de nome amizade. Um breviário em câmera lenta de como ela foi criada para então ser explodida, com direito a cenas especiais de como ficaram os destroços e como foram reconstruídos.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Devia ser por volta das duas da manhã. Ele caminhava pelos cantos das ruas, protegendo-se da claridade e da garoa que estava a tornar-se chuva. Os fones postos e o volume no máximo. Aconteceu muito rápido, uma mão segura-lhe o abraço e pressiona algo em seu pescoço. "Deve ser uma arma" - Pensou. Um estrondo. Escuridão...
...Não virou onde vira habitualmente, e pediu para sair mais cedo do bar onde trabalha. Os fones com volumes mais baixos, e passos mais largos. Chega em casa, abre a porta. Outro estrondo, outra escuridão...
Vamos para o próximo universo.

Para Vocês.

Eu vou sorrir Carolnosamente. Eu vou ser Marinosa. Eu vou amar Karynnosamente. Eu vou atrás dos meus objetivos Giuliamente. Eu vou fazer amigos Biancamente. Eu vou ter boa conduta e caráter Gustavamente. Vou me divertir Mauríciamente. Vou ser inocente Marianamente. Vou arrancar sorrisos alheios tornando-me Biosa, Jéssicosa e Vitosa. Vou tentar agradar aos amados Viquitorosamente. Serei esperta Liviamente. Quieta, porém muito amiga Rodrigamente. Chata e indispensável Lucosamente. Fechado, porém carente e amável Rogermente. Serei rápida e com o sorriso estonteantemente lindo Leticiosamente. E por fim, serei simplesmente eu, ao lado desses tão amados.

terça-feira, 24 de abril de 2012

 - E agora? - Olhou-o debaixo para cima enquanto acendia seu cigarro.
 - Quer dizer, e depois? - Respondeu sem preocupar-se em levantar o olhar, entretido demais com o botão de sua calça.
 - Também.
 - Eu não sei. Eu não consigo dormir, sem dormir eu não penso.
 - Já falei para parar de se sobrecarregar.
 - Já. - Pegou o casaco e saiu pela porta.
 - Eu te amo. - Sussurrou após a porta ser fechada.

domingo, 22 de abril de 2012

porque de vez em quando é muito bom matar

Colocou a música para tocar, aumentou moderadamente o volume e apagou às luzes. A janela estava entreaberta em conjunto com a cortina, deixando apenas uma fresta para a luz e o vento entrarem. Lá fora chovia e fazia frio. Dentro, estava perfeito. Soltou os cabelos e os balançou devagar, deixando-os ajeitarem-se naturalmente. Foi andando lentamente em direção ao quarto e parou na soleira da porta enquanto observava ao homem em sua cama. Sorriu presunçosamente e entrou no quarto. Encostou, com carinho, seus lábios nos dele, acariciou-lhe a bochecha - Eu te amo. - sussurrou. Levantou-se novamente, pegou o celular. - Pode vir buscar o corpo. -. Saiu do quarto, passou pela cozinha pegando seu copo de vinho, aumentou o som e ficou à observar a paisagem pela fresta da janela ao lado do toca discos.

domingo, 15 de abril de 2012

O Fim

 Acordou e sentiu-se estranha. Não estou em minha cama, pensou. Estava largada num canto de qualquer lugar, parecido com tudo, menos com sua casa. Ao tentar se mover sentiu fortes dores no corpo acompanhada da percepção de suas roupas rasgadas. Esquecendo-se da dor olhou em volta e viu que não conseguia ver nada, havia apenas a luz do luar, iluminando o que parecia, uma casa cheia de fuligens, completamente devastada pela fúria do fogo. Quando tentou gritar por socorro sua voz não saiu como esperava, saiu algo parecido com o miado de um gato rouco. Tentou-se levantar, conseguiu, foi seguindo apoiando-se nas paredes.
 - Ei, o que está fazendo aqui? - Apareceu um homem à lhe perguntar.
 Com esforço ela sussurrou uma pergunta. - Quem é você?. -
 - Eu sou a Segredo Revelado. E você só deveria seguir nesse rumo depois de estar preparada. - Respondeu sem muita paciência.
 A garota caiu e tentou lembrar-se de suas últimas horas antes de acordar naquele lugar horrível. Haviam mortes, haviam gritos de angústia e medo nunca ouvidos, nunca atendidos. Havia um tapa na cara, umas palavras mal pensadas antes de proferidas e algumas traições. Já exausta e petrificada pelo medo, resolveu ficar por ali mesmo, pelo menos por um tempo. 
 - Você não pode ficar aqui, se quiser descansar volte de onde veio. - Cutucou-lhe um homem, batendo sua bota nas costelas da menina.
 A garota, um pouco melhor, conseguiu absorver as informações que lhes eram dadas. Um segundo depois olhou ao redor, com medo de encontrar o primeiro homem que encontrara na casa, relaxou-se ao constatar que ele não estava mais ali. Havia outro, o que logo lhe fez ficar tensa novamente, olhou em seus olhos e perguntou com a voz trêmula. - Qua... qual seu nome? -
 - Eu sou o Amigo Traidor. - Olhou-a no fundo dos olhos, sabendo dentro de si que ela sabia, e sentia, todo o significado do que ele era. 
 Tentando desviar o olhar indagou novamente, tentando controlar melhor a voz. - Eu perguntei o seu nome, não o que você é. - 
 - Garota insolente e burra você. Neste mundo, nosso nome é o que somos. De forma alguma o contrário. - Saiu andando, e, já um pouco longe falou alto, - Acho bom apressar-se, não sei quanto tempo ainda tem. - 
 Mais uma luta para levantar-se e manter-se em pé a garota prosseguiu. Num dos vários corredores encontrou uma criança chorando com a cabeça entre os joelhos. Aproximou-se lentamente, e por fim ajoelhou-se ao lado do menino. - O que um garotinho faz num lugar como esse? -. O garoto, com olhos enfurecidos, à olhou e rapidamente, fazendo sumir toda a inocência, - Eu sou esse lugar, todos que encontrar aqui são esse lugar. Você, mais do que ninguém, deveria saber disso. - A garota, já não tão assustada, talvez por estar compreendendo tudo, ou quase tudo, perguntou. - E além disso, o que você é? - O garoto sem tirar os olhos dela, segurou-a pelo rosto, com as duas mãos em suas bochechas e disse num sussurro. - Eu sou o Sonho Não Realizado. E você, é uma garota incompetente. - A garota levantou-se e seguiu andando, desta vez, com mais medo do que no início, já que se seguisse na ordem, o que viria agora, seria a causa do fim. 
 Depois de muitas horas andando sem parar, passando por lugares horríveis, com cheiros horríveis, chegou no que parecia ser o fim da casa. Havia uma porta no fim do corredor. Parecia ser a única iluminada. Haviam gritos, gritos de histeria, e os gritos tinham sua voz. Sentiu que suas lágrimas agora caíam de seus olhos sem que ela pudesse controlar. Seguiu andando, com os joelhos dobrando sem controle à cada segundo. E ao chegar na maçaneta suas mãos tremiam, sua força sumiu, o suor pingava. Sem sucesso, alguém de dentro parece ter aberto a porta. Ao entrar, viu a si mesma em flagelos, cada uma de si estava mais acabada que a outra. Eram arranhões e mordidas pelo corpo, tufos de cabelos sendo arrancados, roupas totalmente rasgadas, banhos por tomar. No centro de toda essa histeria, havia um homem, ela o reconheceu e logo começou a chorar descontroladamente. O homem estendeu-lhe a mão e pediu para que ela não tivesse medo. Como não ter? Ela aproximou-se e sem esperar a pergunta, o homem respondeu-lhe. - Eu sou a Morte do Seu Pai. - Ela, misturando-se às outras, começou a gritar e rasgar-se inteira. Abraçou o homem no centro da sala. E, sem aviso prévio, tudo ao seu redor parece ter explodido, apenas os dois ficaram intactos. Alguns segundos depois, e nada mais existia. Nem ele, nem ela. Nem o medo nem a coragem. Apenas o torpor.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

um, dois, três, QUATRO.


Quatro. Para você pode ser um número qualquer, mas não, não para elas!          
 Quatro era a perfeição, quatro era o essencial, quatro era o melhor!
 Elas eram em quatro, e estavam sempre em quatro, não se desgrudavam, pois não viam tal necessidade. 
 Saphira, Demi, Luna e Willa, eram elas, as quatro, a únicas quatro.
 Como se encontraram? 
 Bom, tudo começou com Luna e Saphira, conheceram-se desde os sete anos. Depois veio Demi bem mais tarde uns cinco anos depois. E por último apareceu Willa um ano depois.
 O que as fazia serem tão grudadas? Não sei bem, o que sei é que o que às une não é algo palpável, não é algo quebrável. É algo forte, algo diferente, algo único.
 É claro que tinham la suas igualdades, uma delas era o rock, e a outra bom, elas sabem o que é (e claro, todas são brisadas)!
 E claro, como todo ser também tinham suas peculiaridades. Mas vamos por partes. Comecemos por Saphira, menina doce, a mais bonita eu diria! O tipo de pessoa que você só não se da bem se não quiser; Logo depois vem Demi, bom, tenho vontade de rir só de pensar nessa! É com certeza, sem duvida alguma a mais brisada de todas, é também a mais tiete e a mais confusa em seus sentimentos!; A próxima é Luna, não sei bem o que dizer dessa, o que sei é que ela é como a líder, não que tenha uma líder, pois nenhuma das três têm vocação para seguidoras, mas o que quero dizer é que Luna é a que tem o instinto de líder mais aflorado, a que se impõe mais, é também a que mais expressa seus sentimentos e, bom, não queira estar perto quando ela estiver estressada!; E por último Willa, nossa, essa é a mais complicada de todas, digo isso com absoluta certeza! Nunca sabe o que fazer ou como fazer, se estressa fácil, e tem uma sinceridade que machuca, e como machuca, porém, mesmo com tudo isso, é o tipo de amiga que se mata mas não deixa você morrer. 
 Enfim, aí estão um pouco das característica das quatro, mas o que elas têm de mais forte e em comum é que as quatro, todas elas, são amigas fieis, se amam, adoram uma encrenca e sabem que o que existe entre elas é pra sempre!

 Continua... até o fim dos tempos, ou quem sabe até depois?!

*Dedico este post à elas.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Deixe-me em Paz

 

 - Mas Celeste, diga-me por favor, tenho certeza que podemos te ajudar.
 - É isso mesmo querida, pode desabafar conosco, estamos aqui com você e você sabe que pode confiar em nós!
 - Sim, pode com toda certeza pode se abrir conosco, sabe que não teríamos coragem de trair sua confiança...
 - Cheega, calem-se, caiam fora daqui, entenderam? SUMAM, SAIAM DAQUI!! VÃO EMBORA AGORA! - Gritou Celeste já injuriada com a insistência de suas três amigas que tanto queriam saber o que à afligia. - Vocês três por se dizerem tão amigas minhas deveriam ser as três primeiras à me deixarem em paz! Paz entendem? É isso o que eu quero! 
 "Não tenho nada e nada tenho, posso até ter algo mas não é nada. Pois não sei nomear, e esse nada não nomeado vai passar assim que eu ficar algumas horas sozinha! Sem ninguém, absolutamente ninguém buzinando na minha cabeça 'O que você tem Celeste? O que foi Celeste? Pode confiar em mim Celeste! blá blá blá' Vocês vão me deixar em paz ou eu terei que desenhar?"
 As três retiraram-se do recinto....

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Brincando de Língua Encantada

 Vou lhes contar uma historia, peculiar eu diria. Sei que não vão acreditar, mas tudo bem, meu intuito é somente entretê-los e contar esse estranho ocorrido.
 Há alguns dias atrás, numa tarde quente, parada, na qual eu já não sabia mais o que fazer para deter o tédio resolvi  começar uma nova leitura. Fui até meu quarto e separei os romances que ainda não havia lido, dentre eles o que mais me chamou atenção foi "As Aventuras de Alice no País das Maravilhas", fora ele o escolhido.
 Agora era preciso resolver onde ler, escolhi o lugar mais escondido da casa, pois assim não correria o risco de ser incomodada.
 Já no quarto dos fundos, encostada na cabeceira da cama adentrei em minha nova aventura. Não sabia ao certo o porque, mas naquela tarde, com aquele livro estava tudo diferente, eu sentia meu estômago formigar de entusiasmo à cada palavra que ficava para trás. O entusiasmo era tanto que resolvi ler em voz alta: "Alice estava tão desesperada que se sentia disposta a pedir ajuda a qualquer um; assim quando o Coelho Branco se aproximou..."
 No momento em que pronunciei essa última senti uma leve cutucada em meus pés, pensei não ser nada até que no momento seguinte ouço uma voz totalmente estranha àos meus ouvidos dizendo: "Mas o que é isso? Onde estou? A Duquesa ficará terrivelmente aborrecida". - Ao ouvir essas palavras olhei rapidamente para o pé da cama e avistei um Coelho, sim, um Coelho Branco, e mais, as palavras saiam da boca dele!
 - Ér, senhorita, por favor diga-me, sem rodeios, onde estou e quem é você?
 Eu estupefata com a situação logo respondi ao Coelho sem muito pensar:
 - Ora, como quem sou eu? O senhor está na minha casa, logo é você quem deveria se apresentar! - Quando parei de falar percebi que estava falando com um Coelho Branco vestido num colete, e invés de perguntar como ele conseguia falar e de onde havia surgido o mandei se apresentar. Só podia estar delirando!
 - Mas, mas... Não, você só pode estar enganada, eu estava agora mesmo indo de encontro à Duquesa, e agora... Como pode? És tu uma bruxa?
 No momento em que ia respondê-lo ouvi latidos, eram meus cachorros, quando fui ao encontro deles percebi que estavam cheirando uma gaiola, era a gaiola do meu hamster, Dobe, estava vazia. Por um momento pensei que ele havia sido devorado por Charlotte e Spawn (os cachorros), mas logo vi que não havia vestígios de sangue e que eles na verdade estavam me mostrando a gaiola vazia. Ainda perdida em meus devaneios senti algo puxando minha calça, quando olhei era o Coelho novamente. "Isso está cada vez mais estranho" - Pensei. E novamente o puxão.
 - O que é? - Respondi um pouco aborrecida pela confusão.
 - Pode me dizer que horas são? - Disse o Coelho aparentando estar com pressa.
 - Sim, poderei te dizer tudo, assim que me ajudar a encontrar o Dobe!
 - Está bem, mas podemos ser rápidos? - Respondeu o Coelho contrariado.
 Dito isso iniciamos uma busca pela casa e quintal. Não encontramos nada, reviramos tudo, absolutamente tudo e não encontramos nem um indicio de Dobe!
 Já estávamos ficando cansados e já estava anoitecendo.
 - Como já estou totalmente atrasado e encrencado, que tal tomarmos um chá? - Sugeriu o Coelho dando-se por vencido.
 Eu que já não entendia mais nada resolvi que um chá não era má ideia, contando que já fazia mais de 5 horas que eu não comia.
 Tomamos o chá. Nossa que estranho pensar que me sentei à mesa e tomei chá com um Coelho falante que estava usando um colete!
 Após o chá lá estávamos nós, sem nada para fazer, ficamos ali, um olhando para o outro, cada um preso em seu universo particular, um mais confuso que o outro, até que eu por costume comecei a "pensar alto".
 - Ora, mas se o Coelho saiu no momento em que eu estava lendo sobre ele e o Dobe entrou quando ele saiu...
 - Isso, é só continuar lendo! - Terminou meu pensamento o Coelho novamente acelerado.
 Nos sentamos naquela mesma cama do quarto dos fundos, eu comecei a ler novamente em voz alta e o coelho ali no pé da cama só ouvindo.
 Passados alguns minutos um sono fora do comum começou me atingir, sem que eu percebesse cai em um sono profundo.
 Algumas horas depois, quando acordei, já era de madrugada, o livro estava caído no chão e Dobe num canto escondido cheirando algo. Não havia vestígio algum de Coelho nenhum!
 Caí no sono novamente...