Aqueles olhos magnéticos, forçaram-me à olhá-los com intensidade, olhá-los e contemplá-los sem preguiça, sem vontade, absurdamente só e tão completo. Fizeram de mim carcaça, pobre, inútil - útil somente em contemplá-los - e mera, mera pessoa observadora. Eu te amo, pensei. Não posso nunca, pensei. Não quero nunca mais ir embora, mas não quero também vê-lo nunca mais. Nem em vida nem em morte, nunca. Nunca mais. Mas o quero para sempre, tão sempre, tão forte. Tão angustiante. Corra. Corri. Devia voltar, sabe, à vida que espera para ser vivida. Voltei. Quero ir embora, aqui é que moram os perigos, numa dessas pode passar uma moto e dar-me carona; eu posso - e sei que vou - gostar de toda aquela sensação de liberdade, até que morro sem perceber, num acidente brutal. Morri, ótimo, agora não tenho mais porque, nem do que fugir. Mas viver, ah, era tão bom; mesmo que à deriva, viver existindo, como mera observadora de olhos engolidores, era por si só muito bom - puxo um gancho para os Amores que mesmo ora físicos continuam à ser platônicos por si só, digo, intensidade. -. No fim era bom poder ir e poder voltar, e na verdade era só isso que eu queria, um eterno nascer e morrer; de amores, de alma, de saudades, de desejos, de felicidades, de olhares, de vidas e mortes, mas conscientemente; se mas[...]
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quarta-feira, 13 de novembro de 2013
domingo, 17 de fevereiro de 2013
Apesar dos pesares
E para a minha sorte,
para o meu descansar
o meu apesar dos pesares
aquela música começou
aquela com o toque natalino
é triste, sim, é.
A namorada está em coma.
Mas o toque é suave.
E para minha sorte
para o meu descansar
o meu apesar dos pesares
aquela música começou
começou a tocar.
terça-feira, 15 de janeiro de 2013
"Passa então a amar tudo aquilo que não ganhou[...]"
Eu não preciso - mas vou - me explicar quanto ao título. Não tem muito - entenda bem as entrelinhas - a ver de fato com o texto de onde fora tirado. Mas tem, tem muito; é o começo, bem no início antes de começar a leitura, naquele silêncio preenchido de "o que está por vir?". Você me veio, me chegou e sentou, acontece que eu me perdi no tempo e esqueci de tirar o binóculo, depois de tirado pude perceber quão longe você realmente estava. Talvez seja mesmo isso, eu te amo porque não te tenho. É. Eu tenho dessas, pouco do que mais amo me pertence no plano real, não me importa, eu sempre gostei das coisas mais surreais. Por favor, não me diga que você é real, se você for e estiver mentindo continue a me enganar, está tão bom, tão bom, tão bom.... Eu posso te sentir na minha alma, eu não sei o que ou quem é você, nem sei se é. Mas posso sentir, sei que eu pertenço à você e não o contrário, eu gosto assim, eu prefiro assim, é quase como um deus, posso sentir suas mãos maestrando acima das minhas vontades, quase acredito em destino.
quinta-feira, 20 de dezembro de 2012
Acredite, eu falei das flores!
Pirilampos, ele me dizia. Sim, pirilampos; me lembra algo como pingos de extravagante urgência da felicidade de ser sentida, junto com a luz que incandesce tão rapidamente se fazendo quase impossível de ser pega no mesmo segundo em que se apaga, porque se apaga no mesmo segundo em que se acende.
Pirilampos, ele ainda diz. Sim, para não dizer que não falou das peculiares alegrias inomináveis fale dos pirilampos.
terça-feira, 11 de dezembro de 2012
Escuro de silêncio.
Despojos despidos de caracóis carcomidos de vergonha.
Pudor.
Camisas em mangas de camisas. Chinelos em pés de chinelos.
Prazer.
Patas do sul chegam ao norte. As travessas viram às avessas.
Liberdade.
Agora o déspota sou eu, a liberdade escancarada!
Possuir.
Agora escancaro à quem quiser ver.
Gritar.
"Escritores usam a mentira para falar a verdade".
Calar.
Eu pinto o silêncio de escuro e ainda vejo o arco-íris.
Domar.
Se você quiser pode vir comigo, o governo é nosso.
Ser.
E não me diga que entendeu.
Pudor.
Camisas em mangas de camisas. Chinelos em pés de chinelos.
Prazer.
Patas do sul chegam ao norte. As travessas viram às avessas.
Liberdade.
Agora o déspota sou eu, a liberdade escancarada!
Possuir.
Agora escancaro à quem quiser ver.
Gritar.
"Escritores usam a mentira para falar a verdade".
Calar.
Eu pinto o silêncio de escuro e ainda vejo o arco-íris.
Domar.
Se você quiser pode vir comigo, o governo é nosso.
Ser.
E não me diga que entendeu.
quinta-feira, 19 de julho de 2012
Será que você ainda passa por aqui?
Estou ouvindo aquela música agorinha, me faz entrar no clima, tentarei agora questionar-lhe um pouco, preciso chegar ao menos perto do chão que pisa para que fique compreensível, por isso a música; lembra qual é? Eu não vou falar, qualquer coisa me pergunte diretamente. Quão explícita estou sendo? Quem liga? Eu não ligo, isso que me importa. Sabe, eu poderia tentar fazer algo mais organizado, menos confuso. Balela. Claro que não poderia deixar menos confuso, qualquer coisa menos alguma coisa que se relacione ao caos não chega nem perto do que você é, e do que você é para mim.
Um bom amigo. Um ótimo amigo. Um amigo do caralho. Porra, você é foda. Me fala, como consegue? Eu simplesmente não consigo compreender. E bom, à você lhe dou todos as ofensas possíveis que na verdade são incríveis e incompreensíveis elogios. Sim, tudo que lhe digo é elogio, eis uma verdade - Eu tenho inveja de você -, queria ser assim, quase exatamente como você (mas sem as bolas, risos), esse seu jeito.... Ah, que jeito? Louco? Não, muito mais que isso. Chato? Claro, você é insuportável. Amável? Além dos limites (além do que pode ser considerado apenas além dos limites). Chega, falei falei e não disse nada, estou me sentindo como aqueles brinquedos que têm um cavalo amarrado a um cabresto e ele fica andando em círculos. Isso, acho que descobri, o seu segredo é sua intensidade, continue, eu vou observando e quem sabe um dia eu não aprenda? Risos, eu te amo cara, mas sabe, é um amor puro, eu não sei explicar, te quero na minha vida, quero sempre poder ler nossas conversas extensas e deliciosas, quero sempre te odiar, quero sempre te aturar, ok? Ok.
segunda-feira, 21 de maio de 2012
como deveria ser.
Eu gostava de andar no meio da rua. Um dia me disseram que a calçada é que foi feita à pedestres, a rua pertencia aos carros.
Eu gostava de andar pelada. Inventaram a roupa e disseram que era proibido sair pelado na rua.
Eu gostava de caminhar na chuva. Um dia disseram que eu ficaria doente se o fizesse, e foram inventados guarda-chuvas.
Eu gostava de ser criança. Um dia disseram que eu cresceria, tornaria-me uma adulta.
Eu gostava de viver. E um dia disseram que a morte chega à todos.
Agora só ando na calçada, coberta por panos, com um guarda chuva na mão; e veja que absurdo, nem mesmo posso fazer algumas graças (sou adulta, lembra? Adultos são chatos, é isso que eles fazem, chatices.) e esperando a morte.
Mas ei, leiamos o título por favor. Pura mentira. Imagine só se eu contentaria-me sendo adulta. Jamé. Sou mesmo é uma garota na bota do pai com medo do mundo à fora. Pego resfriados à torto e à direita. É, ando com roupa, mas confesso, não gosto nem um pouco dessa ideia. Gosto mesmo é de perder o fio da meada e encontrar outras por aí e por ali. Gosto mesmo é de tardes de domingo vendo filmes alheios com meu pai. Gosto mesmo é de jogar xadrez e rir comigo mesma. Gosto mesmo é de matar saudade com o abraço que, conheço um Deus, sabe-o dar como ninguém. Sim, conheço Deus pessoalmente, na verdade sou até muito intima dele sabe? Sim, boa gente, boníssimo na verdade, dos melhores. Ih, olha só, mais um texto no qual acabo falando do meu pai. Deve ser saudade.
Eu gostava de andar pelada. Inventaram a roupa e disseram que era proibido sair pelado na rua.
Eu gostava de caminhar na chuva. Um dia disseram que eu ficaria doente se o fizesse, e foram inventados guarda-chuvas.
Eu gostava de ser criança. Um dia disseram que eu cresceria, tornaria-me uma adulta.
Eu gostava de viver. E um dia disseram que a morte chega à todos.
Agora só ando na calçada, coberta por panos, com um guarda chuva na mão; e veja que absurdo, nem mesmo posso fazer algumas graças (sou adulta, lembra? Adultos são chatos, é isso que eles fazem, chatices.) e esperando a morte.
Mas ei, leiamos o título por favor. Pura mentira. Imagine só se eu contentaria-me sendo adulta. Jamé. Sou mesmo é uma garota na bota do pai com medo do mundo à fora. Pego resfriados à torto e à direita. É, ando com roupa, mas confesso, não gosto nem um pouco dessa ideia. Gosto mesmo é de perder o fio da meada e encontrar outras por aí e por ali. Gosto mesmo é de tardes de domingo vendo filmes alheios com meu pai. Gosto mesmo é de jogar xadrez e rir comigo mesma. Gosto mesmo é de matar saudade com o abraço que, conheço um Deus, sabe-o dar como ninguém. Sim, conheço Deus pessoalmente, na verdade sou até muito intima dele sabe? Sim, boa gente, boníssimo na verdade, dos melhores. Ih, olha só, mais um texto no qual acabo falando do meu pai. Deve ser saudade.
sexta-feira, 4 de maio de 2012
Passáros e Florês
Adentrando pelas beiradas encontrará coisas estranhas. Pelo centro não será diferente. Eu vi flores, disfarçadas de pássaros. Flores. Pássaros. Flores e pássaros. Pensei ter ouvido um ruído. Era o canto das flores disfarçados de odor de pássaro. Só que ao contrário. Eu estou olhando através da minha própria janela. Um vitral colorido, de formas contorcidas e gritos silenciosos; cheio de flores disfarçadas de pássaros.
eu estou dormindo
Consumiu-me enquanto eu cuidava de continuar viva; enquanto eu me ocupava com o, no momento, de menos importância. Chegou de mansinho, sussurrando coisas inteligíveis, na intenção de que eu parasse para compreender. Silêncio. No segundo seguinte, dentro do ínfimo intervalo, eu pude realmente perceber o quanto finita sou. Adentrei agora no infinito, que me arrebata como uma ventania, suave e selvagem. Eu estou voando.
quarta-feira, 2 de maio de 2012
Sweet Home
Teria sido um lar perfeito; se não fosse pelo sangue espalhado por toda a casa. A mãe morta em cima da cama. O pai pulando a janela após ter matado a mãe por estupro. E a polícia arrombando a porta da frente.
quarta-feira, 25 de abril de 2012
Devia ser por volta das duas da manhã. Ele caminhava pelos cantos das ruas, protegendo-se da claridade e da garoa que estava a tornar-se chuva. Os fones postos e o volume no máximo. Aconteceu muito rápido, uma mão segura-lhe o abraço e pressiona algo em seu pescoço. "Deve ser uma arma" - Pensou. Um estrondo. Escuridão...
...Não virou onde vira habitualmente, e pediu para sair mais cedo do bar onde trabalha. Os fones com volumes mais baixos, e passos mais largos. Chega em casa, abre a porta. Outro estrondo, outra escuridão...
Vamos para o próximo universo.
Porque é num ponto branco que encontramos a total liberdade para dizer tudo, sem dizer nada. É apenas um ponto branco. Não importa que seja repetitivo, muito menos que seja o não ser. Pode servir como distração ou tranquileza. O gostoso pode ser ora azedo, ora doce. A liberdade quando muito intensa pode nos manter em cativeiro, imenso, porém existente.
terça-feira, 24 de abril de 2012
2:40 da manhã. Sono parece-me agora (e atualmente sempre) um sonho inalcançável; como água para quem padece num deserto.
Eu pisco e o despertador toca. 5:30. Hoje simplesmente não me quero ser. Ele me chamou, e eu aceitei. Brinquemos. Agora eu quero o primeiro lugar.
-... trabalho? -
Acordo do que mais pareceu um sonho do que um simples devaneio. "Como foi o trabalho". - Como sempre, boa noite.
Deixa pra amanhã.
domingo, 22 de abril de 2012
agora eu quero brincar. Eu mato, você morre. Você ressuscita, eu mato novamente.
Com palavras eu posso me tornar uma rainha. Ou a última tirana, tornando-me ditadora. Posso também prender-me no mais pútrido calabouço de alguns séculos atrás. Eu posso mentir, tornar-me em uma bela mentira, uma mentira admirável, uma mentira meia verdade. Você não pode me deter, aqui é meu mundo, eu dito as regras, eu determino quem morre e quem mata.
Hoje eu quero ir do cordeiro ao lobo. Quero também aquela mulher, as duas na verdade, a frágil e a fatal. Quero o homem que lhe espancou a face, quero sentir como é estar na pele do agressor, sentir o que ele sente, sentir o prazer correr-lhe as veias, sentir a vontade de bater até matar. Chega. Agora eu quero mostrar minhas fraquezas, talvez eu esteja mentindo, não sei. Não sou boa em blefar, é com a verdade esfrêga que lhe deixo confuso. As palavras tornam-se assim minhas cartas na manga, meu coringa, minha chave mestra, o meu mundo compactado pronto para descompactar-se da maneira que eu escolher. Vamos, isso é apenas o início.
e o dia em que eu não tiver talvez eu invente outros
Um dia eu fiz das tripas coração, e você o retalhou até voltar às tripas. Um dia eu acordei feliz e tive que me conter, você não gosta de me ver feliz. No outro, eu acordei com o olho roxo, a boca inchada, e novamente o coração retalhado. Cada vez mais. É possível?
Diziam que não seria fácil, que eu desistiria. Oras, como desistir? Ora bom ora ruim, mas o bom é tão bom, como desistir?
Eu tentei não acreditar nos covardes que desistiram no meio, tentei não ouvir suas explicações (plausíveis, eu admito) do porque. Eu tento até hoje. Será que vou conseguir? Eu não sei, e não me importa saber. No momento eu tento, no momento eu levanto, mesmo com as pernas quebradas, eu vou correr. E não importa como, desde que eu tenha meus motivos intactos.
eu decido que não é isso que quero
Um milhão de analogias, meio de palavras não compreendias, um terço de brigas sem fim e um quarto escuro, frio e depressivo.
O excêntrico que o é naturalmente, me é interessante.
Meu interesse não está no fácil, nem no difícil. Está no exótico, no que, anos atrás, seria o normal. Meu interesse está no brega, no cafona e no piegas. Eu não me interesso quando você está assim, tão interessado, tão cheio de charme, tão cheio de si e de segredos incontáveis. Eu me interesso pela sua bobeira, pela sua naturalidade, seu olhar perdido no nada. Não me interesso por literatura, mas também não sou muito chegada no popular de hoje em dia. Eu me interesso pelo que faz pensar, o que me faz repensar. Eu não me interesso por mim, eu me interesso por aquela que aparece de vez em quando, ligeiramente sorridente, sorrateiramente excêntrica. É isso.
quinta-feira, 19 de abril de 2012
e eu estou cansada de me dizerem que não posso andar pelada na rua, falar palavrão e não pentear o cabelo.
Eu só quero um tempo para poder pirar. Uma hora de gritaria, correria e histeria. Um minuto de puro descontrole. Eu quero um cabelo mais bagunçado que o normal e o pijama substituindo a calça jeans, por um dia. Eu quero a quebra de algumas regras, eu quero esquecer o horário. Quero esquecer de quem sou e porque sou. Esquecer do depois, e das consequências. É isso mesmo, eu preciso disso, se eu não tiver esses momentos de pura liberdade descontrolada eu piro completamente e sem volta.
Eu quero mandar as regras para puta que pariu, pensar por um segundo que se elas existem é porque temos o direito de quebrá-las. E não, eu não vou me importar. Eu preciso disso, do contrário eu não seria um ser humano. Eu quero, por um momento, agir por mim mesma, sem pensar no bom senso, nas razões milenares, no certo e errado "inato", eu quero por um momento ser eu mesma, só um momento...
domingo, 15 de abril de 2012
Consegue escutar essa música? Escutar, não ouvir. Escutar é senti-la, deixe esse solo te possuir para que você então à possua. Solte seu corpo, a música está te levando agora. Grite se sentir vontade, ela é sua comandante, e ela comanda que você se liberte. Ela comanda que você solte, sem se preocupar com o bonito, tudo que tiver ai dentro de você. Pule se quiser, finja estar voando. Aumente o volume, coloque-a para repetir. Dance até o suor pingar. Cante junto, grite, fique rouco. Vá para o meio da multidão e sinta como estão todos além daqui, além do visível e sensível, estão todos possuídos por ela. Se você morrer agora não teria problema nenhum, iria dançar pela eternidade. Sentir esse agudo queimar-lhe a alma até o fim dos tempos. Sentir esse riff arrepiar-lhe até o ultimo fio de cabelo. Até o fim dos tempos.
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