domingo, 23 de dezembro de 2012

Ela é Sagitariana!

Foram-se dois anos como dois dias, e agora, e agora? O que faremos do terceiro dia? Ouvi dizer que junto dele virão trovoadas e nuvens carregadas, prontas para descarregarem todos seus pesos sobre nossos ombros, e agora, e agora? Como apresentarei minha peça mais sincera, mais singela, mais pra ela sem ela na primeira fila? Ouvi dizer que não haverão vozes parecidas nem gracejos tão encantadores como os dela, e agora, e agora? Acho que à partir de agora podemos mesmo colocá-la só por aqui, no mundo das palavras, pois no material, bom, o material também será idealizado, minha sagitariana agora virou história. E que história mais linda!

"[...]que o esforço pra lembrar é a vontade de esquecer.[...]"

Certezas tão incertas quanto o certo que de certo talvez nada tenha, considerando as certezas individuais dos que se dizem certos. Correto, coerente que seja, estamos todos certos na nossa certeza do correto. Ah, que saudade, saudade dos tempos de aparente tolice e profunda - há quem diga - sandice! Quero de volta, quero mais, pra sempre até nunca mais! Que seja loucura, que seja incerto, que seja intenso, que seja infantil, que seja lindo, que seja!

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Acredite, eu falei das flores!

Pirilampos, ele me dizia. Sim, pirilampos; me lembra algo como pingos de extravagante urgência da felicidade de ser sentida, junto com a luz que incandesce tão rapidamente se fazendo quase impossível de ser pega no mesmo segundo em que se apaga, porque se apaga no mesmo segundo em que se acende. 
Pirilampos, ele ainda diz. Sim, para não dizer que não falou das peculiares alegrias inomináveis fale dos pirilampos.

Ela

De olhos fechados eu fiquei a tentar afugentar todas aquelas memórias que teimavam em surgir da surdina para o aterrorizante grito do que tentamos, sem sucesso, repreender. Ah não, isso precisa parar! Ainda de olhos fechados imaginei seu corpo aproximar-se do meu e seus lábios colarem no meu, rapidamente tateei pela cama e peguei a primeira coisa que senti à mão levando diretamente à boca; mastiguei como que fosse  sua língua. Ai!, sussurrei. Sua língua, no sentido literal ou conotativo tornou-se um alfinete e logo eu senti a minha fisgar, num estalar rápido e repentino de dor; sentindo por fim o gosto férrico do pouco de sangue derramado.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Lascividade não me Apetece.

Lascivos se fazem, simultaneamente, passivos. Estes por sua vez molestam-se, lascivamente. Eu não tenho tempo, preciso deliberadamente assumir o despotismo com relação à isso e dilacerar tudo que tentar me apaziguar. Passivamente. Eu não sou passiva, não me moleste com suas alusões a paz, não me dilacere lascivamente. Morda-me com sua mais forte mordida e mate-me com seu mais rápido golpe!

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Escuro de silêncio.

Despojos despidos de caracóis carcomidos de vergonha.
  Pudor.
                              Camisas em mangas de camisas. Chinelos em pés de chinelos.
                                                                                                                              Prazer.
Patas do sul chegam ao norte. As travessas viram às avessas.
                                                                                                Liberdade.
                                                                                     Agora o déspota sou eu, a liberdade escancarada!
Possuir.
                                   Agora escancaro à quem quiser ver.
                                                                                               Gritar.
 "Escritores usam a mentira para falar a verdade".
                                     Calar.
                                                         Eu pinto o silêncio de escuro e ainda vejo o arco-íris.
                                                                                                                                Domar.
             Se você quiser pode vir comigo, o governo é nosso.
                                                                                         Ser.
                                                                                                         E não me diga que entendeu.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Mais uma questão de semântica.

Sentou-se ao cavalo e indagou - Onde está o som? -, como resposta veio o relincho. - Que é isso? Não foi assim que combinamos, chame logo o maestro. - Como numa transação de pensamento veio o maestro, ao cachorro. O velho sentado de pernas abertas virado para a traseira do cachorro e este virado de costas para o cavalo começou então o bruxulear de mãos. Veio novamente o relincho, dessa vez foi algo mais domado - estranho, porque parecia mesmo que haviam cavalos descavalados encavalados dentro do cavalo, tudo junto, num só momento, relinchando todos juntos. - Silêncio! - Ela ordenou. - Agora chame a égua! - Novamente naquele tipo de pensamento transitivo chega a égua. As mãos recomeçam o bruxulear e o cavalo e seus cavalos recomeçam o relinchar; a égua começa a dançar, sobre duas patas, uma pata e terminando sobre o rabo. A garota dada por satisfeita solta um suspiro, acena com a cabeça e desce do cavalo cantarolando e pulando até sua cama de flutuantes flutuados no meio do flutuar.

domingo, 11 de novembro de 2012

Esclarecer do Ser quanto ao Parecer

Não me sei saber, não me sei descobrir, não me sei responder, não me sei ser!
Eu visto o sorriso e o troco pela paisagem - passiva, passada, parada -. Visto os cabelos penteados e logo os desgrenho no vestido do dançar - primeiro uma dança, depois, algo anomeante -. 
Eu aparento, sei que aparento muitas coisas. Mas e o ser? Me sou também tantas coisas, mas de vez em sempre tenho essa impressão de que não aparento ser nada do que sou. De que adianta? Mudo meu parecer ou meu ser? Eu não sei, se mudar o parecer para semelhante ao ser terei-me muito trabalho, imagine só, nem me sei, menos ainda sei-me copiar. E se mudar o ser, ah, como isso, mudar o que não se sabe, se nada mudar tanto faz também se nem sei, não sei quando mudou.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

"ISSO AQUI NÃO É SOBRE REVOLUÇÃO"

Eu sei, tenho dito, e não é de hoje, direi novamente daqui a umas palavras, espere só um momento, primeiro volte e releia, observe, viu? Pareço seguir algum tipo de ordem à você? Tenho me pego seguindo algumas, fazer o que, me vigiar toma tempo demais, mas por exemplo, ainda não descobri como sair dessa dimensão, e por aqui, a única ordem que não se tem como fugir é a do tempo, tudo tão cronologicamente certinho - bah, canseira das mais chatas! - mas de certo, do que posso eu fujo. Sim, é hora, falarei-me agora, digo, repetirei-me, vê se preste atenção. No meu nome tem apenas letras embaralhadas formando palavras arbitrárias numa ordem qualquer - ao menos é assim que me parece. - e no meu eu não é diferente, sou um conjunto de pensamentos soltos e difusos, todos querendo gritar mais alto que o outro, todos se sentindo mais urgente que o outro, mais bonito, mais feio, mais triste, mais, mais, mais.... E isso me faz querer mais, mais espontaneidade, mais é que tudo vá pra puta que pariu, mais putas parindo, mais.... Menos moralidade, faça-me o favor, sem sermão, eu estou te olhando mas não estou te vendo, estou te escutando mas não te ouvindo, é sério, se o tempo se perde o seu já está desaparecido.

Tome por eu você, e por você todos nós.

Eles mataram a chave do meu eu. Eles crucificaram e crucificam, dizem hoje, em pele de cordeiro, que no passado outros o fizeram, os lobos, dizem que os lobos usurparam de tudo que um dia eu prezei, cuspiram e pisaram, fizeram do magnífica miserável. Oh, preste atenção, os que contam a história, como eles sabem se todos que para lá foram de lá nunca voltaram? Eles são os lobos, puxe os cachos de anjo que logo verá o demônio, a vermelhidão não é de alergia e menos ainda de calor, é de fogo, é de inferno.
Venho aqui apenas para dizer, eu não tenho o que dizer. Venho para dizer que de mim tiraram também a palavra e o direito, direito de escolha e decisão. Eu tenho porquês e tenho perguntas, mas cadê, onde estão as respostas tão antigamente roubadas e tão cedo esquecidas? Ah por favor, vá já embora, eu bem sei que já lhe moldaram, já lhe fizeram engolir as "respostas certas".

domingo, 4 de novembro de 2012

Ela

Os cabelo de fogo junto com os olhos, de fogo também. O primeiro de fora pra dentro, visível e subscrito. O segundo, só queima a quem olhar bem fundo, procurar o que não tiver para achar, e vai achar; vai acabar por ser tomado até o vazio da alma, o vazio do não saber, nem certeza nem dúvida, menos ainda opinião, o vazio, foram os olhos, os olhos de fogo, tomaram-lhe tudo, e tudo isso, veio com a ajuda do cabelo, que com tanta quentura e doçura trouxeram-lhe à esse inferno tão vazio, que nem o fogo lhe deixa mais sentir.

A verdadeira ilusão. A ilusão da verdade. II

Seis meses se passaram, as profecias foram todas realizadas; o sol já iluminava mais do que um dia o luar iluminou a noite e o sono, bom, deixemos para depois, talvez eu trate aqui da maneira como tratei da saída da garota para sua iniciação, principalmente.
- Por favor, eu preciso de água, não falo da água como água, a quero como essência. - Um suspiro, quase um grito, mas abafado no momento certo, no início, logo, nem suspiro nem grito. - Eu fiz o que pude e o que não pude, mas o que era pra fazer fiz e como por essência é o certo também. - Agora um grito, já não cabem mais palavras aqui, o homem a pega pelo pescoço e a levanta olhando em seus olhos, olhos de azedume, azedume limão com morango, o chocolate de outrora fora-se'mbora junto com as lembranças do quarto rosa. 
- Eu a avisei dos perigos e das angústias, não estamos com tempo nem forças pra intercepções, quero agora, não m'importa como seja, quero agora o que lhe mandei como fato consumado nessa noite. Acha que isso de ser filha do destino é algum tipo de brincadeira para passar o tempo? Acha que seu nome entrará p'ra história e sua morte será triunfante? Pois digo logo, desvista-se dessas ideias, sua morte provavelmente será das mais cruéis, e seu nome - Um riso sarcástico e silencioso - seu nome nunca lembrado!

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Matéria estranha essa.

Escuso-me à matéria de organização. Não, não estou falando da mais conhecida, isso de dobrar cousas desdobradas e guardar cousas desguardadas não me é difícil e menos ainda sacrifício. A matéria da qual me refiro é a mental, a mental que domina todo o resto das outras - sentimental (coitada, tão infinitamente sentimentalmente infantil!) principalmente. -, oras, por que? Porque não consigo, não sei, não aprendi e não pareço evoluir para saber. Eu penso sim e em seguida no não e talvez não e não será sim com certeza. Eu quero que vá pro diabo toda essa bagunça, eu quero já o emplasto, ouvi dizer que deixa tudo mais fácil, nada de hipocondria! Há, imagine essa, eu sem meus remédios, piada. No mais, não quero, não quero mesmo organização, ora essa, depois de tanto tempo à deriva dessa, que me quero com ela? Nem a ferro, me fiz bem - que seja, não tão bem, nem bem, bem mal - sem ela, me continuarei sem, até que venha, se não vir, não venha mesmo.

Morta, mortinha!


Que é isso? Me faz o coração disparar e parar, pesar e voar. Ah, por favor, cesse já com suas palavras e cantorias, essa sua voz, pesada, sonada, de ressaca, rouca. Por favor, pare já com essa tortura, eu não sou mesmo nem um segundo forte, e eu jurei não bater mais à sua porta, eu conheci sua mulher e nos fizemos melhores amigas, conheci teu homem também e dele sou amante, só nos falta mesmo as carícias físicas. Vamos, facilite as coisas a mim. Eu não vou colocar um parágrafo sequer, quanto mais difuso melhor, eu não posso mais me deixar fosca dessa maneira, tenho que adicionar mais brilho, talvez assim eu consiga lhe ofuscar. Ah, céus, que é isso que sinto em meu estômago? Acho mesmo que tem alguém arrancando-lhe-me, vagarosamente, com seu melhor sorriso psicótico no rosto, e sua mão penetrando por inteira no meu abdominal, ah não, agora está no coração, e ele luta, contra tudo, dispara e para, dispara e para, dispara e para. Morte, os impulsos continuam, mas eu estou morta, sei disso, já não tenho distinguido com clareza se estou viva, mas a morte eu sei que me chegou, pois de tudo que fui e senti, agora só sou a defunta e só sinto o amor, o mais intenso amor que senti quando em vida, somente mesmo isso poderia me prevalecer. Por favor continue.

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Quando você é estranho eles não sabem o seu nome.

Pessoas normais para tempos estranhos.
Estranhos tempos para normais pessoas.
Tempos normais para pessoas estranhas.
Estranhas pessoas para normais tempos.

Quem vem lá três vezes?
Quem te fala ao ar?
De onde vem esse negócio?

Tempos difíceis para sonhadores.
Sonhadores para tempos difíceis.
Sonhadores difíceis para o tempo.
Tempo para sonhadores difíceis.

Quem te fala ao ar?
Quem vem lá de novo?
Pra onde isso vai?

Amores difíceis para amantes inflamados.
Amantes inflamados para amores difíceis.
Amores inflamados para amantes difíceis.
Amantes difíceis para amores inflamados.

Quem te salta o coração?
Quem te faz voar?
Pro que é que vives?

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

diamantes brilham no escuro.

De preceitos me despi e os olhos resolvi abrir, assim como a mente e o leque de novas oportunidades. Nesse meio tempo encontrei você, que sorte não? Garota de sorriso fácil e coração mole, enorme, enorme, como uma leoa cuida e ama aos seus os defendendo da maneira que for pelo motivo que for.
Ah, que dia mais lindo esse, os anos se passaram e eu nem pude perceber quão rápido foi, prometo não piscar mais, parece mesmo que à cada piscar se vão momentos saudosos. Mas que lindo, que maravilhoso, quantos momentos hum? Não poderia nunca contá-los nem nos dedos do infinito. Quero mesmo poder repetir essa e mais um milhão de outras datas, quero mesmo é poder te dizer sempre o quanto eu te amo, sem porque, somente dizer, que você merece toda a felicidade do mundo hoje e sempre, e além do sempre, porque eu bem sei que quando tudo isso acabar nós todos vamos viver a pós-vida num outro planeta qualquer, afinal, um bom livro tem que ter seu epílogo. E já disse, minha vida é no meu universo, e o que poderia ser mais maravilhoso do que viver num livro? No mais, que seus capítulos constituam páginas sem fim, e que eu, possa estar a lhe espiar entre um e outro, sempre.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

e para amenizar o devasto do tempo fotografo e escrevo.

Que saudade eu tenho dessas ou destas pessoas que me deixam de olhos arregalados, sem piscar, como que se eu piscasse perderia toda a fascinação do momento. Pessoas que fazem meu coração disparar e meu sorriso rasgar o rosto, somente ao refletir de sua luz no meu dia. Ah pessoas, pessoas que adjetivos faltam em qualquer língua que seja, para descrevê-las. Pessoas que eu sinto saudade agora, que foram ou que estão exatamente aqui ao meu lado, tenho saudade por ter acabado ou por imaginar que um dia possa vir à acabar. Ah, acho mesmo é que vivo de saudades, saudades passadas, presentes e futuras. É tudo saudade, estou já com saudade do agora, e com essa saudade toda, que dói e conforta, vou tentando controlar meu medo de  continuar a conhecer essas pessoas pra lá de fascinantes e viver momentos pra lá de maravilhosos, eu ainda não sei se a saudade super lota assim como meus pensamentos insanos e minhas memórias tão cheias de cores hoje e amanhã já desbotando-se.

latente sem sair pela tangente, late sem parar.

 De frente trás para, digo, de trás de frente para, enfim, de trás para frente. Penso em apagar tudo, isso está um escarro. Não, não apagarei nada do que escrever hoje (à não ser que eu já o tenha apagado, apaguei mesmo, será como se nada tivesse ocorrido, apaguei e vestígios não deixei). Vamos-nos logo ao assunto latente, que bem lhe aviso, não é dos melhores, nem dos piores, nem dos mornos nem dos polêmicos, é de latir. 
 Hoje mais cedo, ah mentira, não somente hoje mais cedo, desde há muito tempo atrás (não sei se apenas alguns anos podem ser considerados muito tempo, mas considerando minha pouca idade à mim metade disso já é muito tempo), venho observando algumas pessoas, todas, até as que não se consideram ou não são consideradas. Eu fiquei com nojo, não porque fediam - e algumas fedem mesmo - mas porque, bom, não sei porque, um bando de fatores chatos, incoerentes e divergentes. Pessoas amostradas, sim, acho são manequins vivas e esqueceram de avisar aos desavisados; pessoas sem o pessoal, sem o único, sem o tato, o tato de ser o que quiser mas porque é, não porque o outro mostrou que assim você ganhará seja lá o que estiver procurando. Enfim, isso está mesmo uma merda, grande porcaria de hora que resolvi não apagar nada, de qualquer maneira é isso ai, eu estou cansada, e acabei de me resolver, o nojo que tenho não é simplesmente pelas pessoas que são o que eu não acho legal, até porque não é assim que funciona, o nojo que tenho é das pessoas que são o que o roteiro manda que sejam, não das que são - mesmo que eu não ache legal o que são - mas são de fato. Mas de qualquer forma, eu ando por ai dando sorrisinhos e dizendo o que elas querem ouvir, eu não tô pra me explicar, e menos ainda pra tentar mudar ninguém, talvez a digna de nojo seja eu, e eu devo mesmo ser, tenho lá umas peculiaridades que se eu não fosse eu não iria aturar muito bem, tá que eu me amaria sim, pois eu costumo amar pessoas com suas excentricidades, mesmo que as odeie por não conseguir conviver. Ah, é isso, eu estou cansada, precisava mesmo é colocar isso pra fora, mas saiu foi nada com nada e um pouco de coisa alguma, de qualquer forma, eu entendo, logo faço minhas trezentas páginas e você entenderá menos ainda.

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Eu fiz e refiz, apaguei e desfiz. Por fim, é um texto sem título.

Os dias se passam e a confusão aqui dentro somente impregna, eu nem mesmo sei se quero acabar com esta e muito menos como. Eu sei que com os dias e as confusões a chama continua acesa, a curiosidade ainda teima e eu vou te querendo assim, sem querer. Você é um pedaço de mim, eu não me dou bem comigo, mas muito me amo, muito me intrigo, você é assim, a diferença é que difere à mim, sem querer querendo, eu vou te querendo sem querer. Ah, dias nublados, dias quentes, chuvas densas, eu não sei se quero abrir os olhos, eu não sei se quero continuar, ouvi dizer que por onde vou o trânsito é intenso.

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Nem cedo!

Existam a mim e por favor, não existam à você, sim, eu sei eu sei, ao chegar lá julgarão-me louca, não me encaixarei em canto algum e menos ainda faria grandes laços. Ah que saco, isso aqui está me atrapalhando, você pode por favor parar de me olhar? Se possível suma de minha vista, eu preciso mesmo achar estar falando comigo mesma. Ah sim, eu existo à mim, mas não quero existir à ti certo? Deixarei-te-ei no escuro, no escuro das entranhas e estranhas profundezas do que chamo existência, consciência, inteligencia... Negligência, sim, negligiar-te-ei caso dissimule qualquer tipo de sentimento alheio à mim. Ah sim, quase me esqueço, eu quero também aparentar o que não aparento agora nem nunca aparentarei, e somente aparento, mas sou, consegue acompanhar? E sem mais delongas, eu te quero longe daqui e bem perto, já sabe quanto à existir e sentir, no mais, não falarei, descubra à mim enquanto descobres à ti, só peço (e peça você também) para que não seja tarde demais, nem cedo. Nem cedo.

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

à ti eu digo que não vives.

À ti eu desejo os raios do sol, não, não apenas isso, que venham também as árvores para lhe propiciar as mais gostosas sombras. Desejo também um pouco de sofrimento, não, é melhor que nalgum momento de sua vida sofra bastante, somente assim ao viver coisas boas saberá o quão valorosas são. Desejo também que não seja educado, não seja bonito, não seja simpático, não seja nada do que é considerado bom para a maioria, desejo que seja você no seu mais profundo eu, somente assim quando for feliz estará realmente sendo, e ah, lembre-se, por favor, sem preceitos, sem padrões, faça o que der na telha. Se conseguir ao menos metade disso poderá voltar aqui e dizer "Eu vivi".

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Virtudes distorcidas e sorrisos jogados à sarjeta. Que me importa um abraço? Posso sim desferi-lo à quem bem entender, mesmo que esse quem não me seja alguém. Ah, poupe-me, vivo num mundo onde a palavra valor remete-se logo à quantidade material, pare com esses sonhos malucos e venha já trabalhar. Ouvi dizer que você estava à procura de sinceridade, olhe, digo logo, não venha interferir isso é mau para os negócios, aqui as coisas não funcionam aqui, faça já o favor de abaixar a cabeça e pedir desculpas! E mais, deixa desse negócio de sensibilidade, pode até ter, mas sabe, a pose não pode ser essa, tem mesmo é que sair bem na foto, o que importa mesmo é que tenha bons contatos.

Lugar Nenhum

À deriva do que me parece bom eu espero, espero na esperança de que um dia possa parar de esperar. Fétido, pútrido, insalubre, é neste lugar onde me encontro; oh não, à essa altura já devo estar contaminada, por que diabos não fui embora antes? Ora essa, deixe de balela, como poderias saber onde é que estava se metendo? Ouvi dizer que os que aqui chegam vêm somente o arco íris por cima à poluição. Agora trate de se adequar, caso não queira se contaminar eu sugiro que feche bem a boca e os olhos, do contrário será inevitável; e mais, se quiser se poupar do incomodo é melhor mesmo voltar do lugar d'onde veio.

domingo, 7 de outubro de 2012

Ela

Lentamente, levemente, sorrateiramente ela levanta o olhar de encontro ao meu, como num movimento comum, sem porquê, sorri e o desvia, num décimo de segundo. Mentira, foi tudo num movimento brusco, eu que reproduzindo e reprisando mentalmente retorci para que eu pudesse observar melhor os movimentos de uma armadilha funcionando. - Uuh, eu quero você, como eu quero... -. Menina de gestos desconhecidos e palavras não ditas, as ditas, eu não ouvi. Me fale por favor, ao menos um pouco, fofoque comigo sobre si mesma, eu não gosto do escuro, quero poder olhar em seus olhos sem ver essa nebulosa tão próxima. - Suspiro - você me cansa, eu corro, corro tanto, em todas as direções - ofegante - não tenho mais fôlego, o cérebro já não organiza meus pensamentos, eu travo, por isso, eu me acimento, me enraízo aqui no chão, e fico à apenas te observar, sem compreender nem um dedo.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

como é possível o impossível?

Sinais que sinalizam os dessinais - Pare, volte de onde veio e esqueça para onde estava indo. - eles dizem. Afagam meu ombro e sussurram em meu ouvido - Está fazendo a coisa certa, o caminho é estreito, escuro e tortuoso, mas ainda assim o certo. -. É como um cabresto, a liberdade me consome, a liberdade de minhas escolhas, minhas inúmeras possibilidades me sufocam, e eu grito - Feche a janela, não consigo respirar! -. Sigo à rédea curta, brincando de bem me quer mal me quer, jogando com o acaso e rindo do possível, só assim, talvez, quem sabe, um dia, o impossível me chegue.

domingo, 30 de setembro de 2012

canto escuro emanando luz

Antes de lhe conhecer, fazia a ti analogia à um canto escuro; e eu tinha medo de ir explorá-lo. Certo dia, sem muitos porquês nem reflexões simplesmente fui - agora é a parte feliz da música. - você estava lá, cheia de brilho, com esse seu sorriso que fazia parte dos sobressaltos da música, o seu olhar, já disse quão lindo é? Encheu-se de luz ao momento que começamos a conversar, céus, quanta coisa, quanta coisa.. Quanta coisa, ah onde está o adjetivo? Deixe pra lá, o adjetivo é por sua conta.

sábado, 29 de setembro de 2012

Pare, sua respiração está atrapalhando!

Não, por favor, deixe ligado e saia já daqui, se possível morra e não volte jamais a me incomodar. - Os braços jogados ao lado do corpo inerte, os olhos voltados para o teto, sem ver, apenas ouvindo, o quarto à meia luz e um barulho incômodo do toc-toc daquele salto infernal, isso sem referir ao da porta que acabara de bater. - Eu poderia ficar aqui para sempre, até nunca mais. Eu queria dormir agora, mas quero, e preciso, continuar a ouvir essa música - ah sim, quase esqueço de mencionar, o som está no último volume, não é música, é magia - preciso inventar algo que me permita dormir sem deixar de ouvir, não que eu queira ouvir os burburinhos chulos por esses corredores, quero mesmo é continuar à brincar de mágica.

Prólogo do Pós-Escrito

Me perca, por favor, feche os olhos e me solte na multidão - "Faço isso por ti e não à mim, de bom não ganho nada com isso." - pense assim e tire o peso de suas costas. Ah, que difícil ter-me que levar e cuidar à todo lugar. Quero-me largar, me voar sem paraquedas nem asas. Quero-me mergulhar sem pegar fôlego. Quero-me morrer, viver só no físico, de resto me largo, me mato e não me ressuscito. Quantos maus efeitos me causo, sou-me uma péssima companhia, mãe, por favor, tire-me de perto de mim.

minh'alma de barulho já basta. Procuro por silêncio exterior.

Um mundo de surdinas, pontas de pés e passos faceiros. Ah, quão belo não? O balé não contemporâneo, não clássico, diário. Ah, quanta delicadeza, aos olhos aos ouvidos, à alma. Ossos de vidro para todo lado, assim talvez todos dessem mais valor ao peculiar, ao minucioso. Sem repentes, apenas sorrisos sinceros, olhares falantes e bocas fechadas. Venha, por favor, encha-me com teu silêncio, o faça e me tome, para sempre, em seus braços sua alma e seu barulho, tão silencioso.

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

eu de nome Salafrária e ela de nome Eu

Eu começo livros e não os concluo, começo amores e não os conquisto, começo músicas e não as canto, começo poemas e não os recito. Ah, quanta covardia numa só vida; só pode se dar por conta da passada, quão salafrária eu fui não? Ao menos divirto-me imaginando as peripécias que já aprontei e à quem já aprontei; assim esqueço o tanto que me aprontam por aqui. 
Quanta mentira, continuas assim, tão salafrária como na vida em que te encontrei; eu diria morte. A morte de uma vida sem cor. Eu digo logo e grito para quem tiver de ouvido afiado, odeio você e eu odeio com força maior, mas é coisa tamanha que posso até dizer que não sei o que sinto, não sei e não direi, se não sei é porque talvez nem sinta, só sei que é muito forte.


quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Primavera do GRANDE ESPETÁCULO

Corram, que os tambores se rujam, que as paginas se carreguem e as luzes se apaguem; ouvi dizer que ela tem luz própria. O espetáculo vai logo iniciar, escuso aqueles de pouca imaginação e boa índole, avisar-te-ei logo que de brincadeira não foi que veio, veio mesmo para brincar, brincar sério de divertir, para isso não hão espaços para boa camaradagem. 
Que? Quanto alvoroço, cale já a boca, fétida platéia imunda, parem já com os aplausos, ela já começou o repertório. Veja só, está quase que toda despida, espantamento é o que sinto agora, que é que foi que a fez parar? Ah sim, aquela merdinha, ela esqueceu a merdinha do detalhe, esqueceu que não poderia ter-se anunciado agora, ainda falta aquela merdinha, talvez agora que lembrou não seja mais problema, ou seja.

domingo, 23 de setembro de 2012

Bruxa re-velada.

Olhando para todo aquele monte de nada foi capaz de perceber. - Quão vazio estou? Céus, erroneamente juguei-me pronto, avante segui. O que poderia eu ter impedido se não fosse por minha pomposidade? Ah não, que é isso, almejo e logo cresço. Carecia demasias de menas confiança. Aconteceu, passou, a onda veio e como um girino fui levado. Cá estou, no centro do que chamo tormenta, tormenta de minha vida, tormenta de alma e da mente, coração, sim, coração, estraçalhado estilhaçado. Ah que é isso, fui-me realmente capaz algum dia? Ande, vá embora daqui, essa ânsia que tu me causas, essa urgência, não preciso disso, saia já, feiticeira mal encarada, farei por ti a volta da inquisição, a queimarei de meu coração.

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

É difícil me ser, duas vezes.

 Adentrando o quarto pude perceber o quão nebulosas estavam as coisas. Céus, o que aconteceu por aqui? Por Deus, abra a janela. - Não tem janela. - Ora, então acenda a luz. - Queimou. - Vamos, saia já daí, quero conversar sério contigo. - Não, somente sairei ao desentender, sairei quando já não mais houverem saídas, e então, eu, paradoxalmente (como sempre) sairei. Deixarei a nebulosidade dos fatos quando esta já tiver lhe cegado e sufocado... - Ah deixei falando, bobeira né? Creio que deva ter entendido tudo que eu a havia dito.
- Por favor, eu só não queria e nem quero brigar. Eu entendo seu lado, até por isso lhe deixo na nebulosidade, assim como você um tanto de vezes me foi eu também lhe sou mais um tanto. Entendo perfeitamente o que passas e melhor ainda que essa birra de criança logo passa e então seguiremos em frente, só não pude lhe esconder isso agora pois poderia lhe colocar contra o sol, ora essa, sou amiga dos dois, do sol e da lua, porque haveria eu te me por no meio? Não faço esse papel, sou sincera e sempre me fui, tropeço no omitir dos fatos, mas assim como você, não sou perfeita também. - Pausa para a água e para luz, é muita nebulosidade. - 
- Vá embora, estou bem na minha nebulosidade e não preciso de você, não preciso mesmo, pode ir, ande, meu cigarro, minha bebida e meu criado me são de muita melhor companhia, vá se embora e se ficar, bom, cale a boca, contigo eu só quero risos, quero que sejas sim perfeita, não pode sentir raiva, não pode tentar se manter fiel ao sol e a lua mesmo nem mesmo em tempos crepusculinos. Olhe, eu não sei bem o que quero e também não quero te explicar, por que acha que estou aqui nessa nebulosa? Eu sei que se quiser ir vá, não vou tentar me explicar, isso é papel seu, certo? Vá pode ir, não me importo se se importou o suficiente pra omitir fatos que me chateariam, não me importo se teve coragem o suficiente pra vir tentar conversar comigo mesmo em tempos tão sombrios e abafados, vá a porta está aberta e é isso mesmo, ainda bem que deu a pausa, eu não faço a mínima questão de você.
Abaixo-me a cabeça e me afasto sem que minha face agora possa ser vista de dentro do quarto. Pensando no que ouvira exatamente hoje mais cedo no nascer do sol "Não que tenha desisti, só cansei de insistir" digo, no silêncio. - E isso dói, dói como nada que já houvera sentido antes, não sei por onde começa doer e nem por onde dói mais. É tudo, a promessa de um futuro eterno desfeita. As cartas queimadas. A cumplicidade esquecida - quê? pessoas são só pessoas, se preciso de uma mulher existem várias outras no mundo. -. Mas acho mesmo que a faca sem ponta nem haste, o tétano do meu eu, é o fato de que a coisa em que mais acreditei, menos desacreditei que um dia pudesse vir a se quebrar, quebrou, não tenho base alguma para acreditar em outra coisa se quer, simplesmente desacredito até de mim, acho é que vou acordar na madrugada e me esfaquear, ou sei lá, num dia andando na rua me jogarei fora no lixo e direi - Saia, vá logo, não te quero aqui. - ou então, mais realista - tudo bem, pode ir, não sentirei falta, logo ligo para sua substituta. -. Que seja, amei, amei tanto que nunca pensei fazer defender e aceitar coisas como a fiz. Quão lindo? Ao menos posso parar de procurar por uma alma gêmea - dizem que só se encontra uma na vida -. Ao menos posso dizer que amo, que amo como nunca amei ninguém - isso não é coisa que se acabe numa vida, aliás, em vida nenhuma. -. Ao menos posso dizer que vivi intensamente, venha, quero me juntar às estrelas, nessa vida, eu quero calma, não quero encontrar amor nenhum, por favor, já tive agitação suficiente, na próxima talvez, noutro planeta; mas no momento quero apenas fazer parte de um sistema qualquer sendo uma estrela qualquer. 

domingo, 22 de julho de 2012

A verdadeira ilusão. A ilusão da verdade. I

  - A noite já caiu, os galhos estão uivando e os lobos já se esconderam, à essa hora eles já não são o mal dessa floresta. - Disse enquanto acendia outro candelabro com três velas e seguia em direção ao extenso corredor que seguia da dispensa à cozinha e então à sala. 
 - Mas eu tenho que ir. Você sabe, os sonhos, aconteceu de novo. Dessa vez ele virá vestido de preto. Um corvo senhor, um corvo. - Disse enquanto seguia com seu lampião com passos largos para que pudesse acompanhá-lo. 
 - Quando foi que eu disse para que não fosse? Alertei-a apenas de que as noites estão cada vez mais escuras, e os lobos cada dia mais parecem princesas pomposas em seus vestidos rosas. - Disse calmamente enquanto selecionava um livro na estante no canto extremo da sala. Ordenou à criada mais próxima que pusesse mais lenha na lareira. - Não é do frio que devemos correr, mas do que vem com ele. - Disse como que pensando alto. Deixou o candelabro na mesa próxima à sua poltrona, que por sua vez ficava bem à frente da lareira e então sentou-se com o livro à sua frente. Antes de abri-lo, cruzou as pernas, abaixou o óculos e olhou à fundos olhos enquanto disse cautelosamente. - Você é apenas uma garota, uma garota com deveres de mulher, mulher adulta, mulher vivida, mulher de bons amigos. Está no caminho certo, é claro, estou do seu lado, ao menos um amigo já tens. Acontece que o que está por vir é muito pior do que pode imaginar, se quiser mesmo se despedir terá que aprender que amor em sua vida será luxo, conforto delírio e felicidade ilusão. Sua felicidade, seu amor, seu conforto e seu maior sonho terão de ser somente sua missão cumprida, esta por sua vez não será cumprida em um ou dois anos, nem em uma década, é o legado de uma vida, e talvez até mesmo gerações, como aconteceu com seu pai que lhe deixou além do castelo e eu mais essa herança. Vá para cama, corvos são espertos, e pela intensidade desse sonho este não é dos novos. Pense melhor se quer mesmo desistir de seus vestidos, danças e penteados.

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Será que você ainda passa por aqui?

Estou ouvindo aquela música agorinha, me faz entrar no clima, tentarei agora questionar-lhe um pouco, preciso chegar ao menos perto do chão que pisa para que fique compreensível, por isso a música; lembra qual é? Eu não vou falar, qualquer coisa me pergunte diretamente. Quão explícita estou sendo? Quem liga? Eu não ligo, isso que me importa. Sabe, eu poderia tentar fazer algo mais organizado, menos confuso. Balela. Claro que não poderia deixar menos confuso, qualquer coisa menos alguma coisa que se relacione ao caos não chega nem perto do que você é, e do que você é para mim.
Um bom amigo. Um ótimo amigo. Um amigo do caralho. Porra, você é foda. Me fala, como consegue? Eu simplesmente não consigo compreender. E bom, à você lhe dou todos as ofensas possíveis que na verdade são incríveis e incompreensíveis elogios. Sim, tudo que lhe digo é elogio, eis uma verdade - Eu tenho inveja de você -, queria ser assim, quase exatamente como você (mas sem as bolas, risos), esse seu jeito.... Ah, que jeito? Louco? Não, muito mais que isso. Chato? Claro, você é insuportável. Amável? Além dos limites (além do que pode ser considerado apenas além dos limites). Chega, falei falei e não disse nada, estou me sentindo como aqueles brinquedos que têm um cavalo amarrado a um cabresto e ele fica andando em círculos. Isso, acho que descobri, o seu segredo é sua intensidade, continue, eu vou observando e quem sabe um dia eu não aprenda? Risos, eu te amo cara, mas sabe, é um amor puro, eu não sei explicar, te quero na minha vida, quero sempre poder ler nossas conversas extensas e deliciosas, quero sempre te odiar, quero sempre te aturar, ok? Ok.

sexta-feira, 22 de junho de 2012

A vida duma maneira um tanto quanto simples e camuflada


 Explicações não lhe são de graça, não são confiáveis e muito menos sempre bem entendidas.
 O que me acontece acontece pois tem de acontecer, ou porque acontece mesmo, não sei, risos. Mas o que eu faço acontecer é porque eu quero que aconteça. Sabe, odeio o orgulho, mas oras, que tipo de pessoa eu seria se me rebaixasse à ponto de beijar-lhe o pé? Não, mas é claro que não, eu não sou nem nunca fui aqueles que estão ao seu lado para paparicar-lhe, pegar emprestado um pouco do teu brilho natural. Em mim era real, coisas reais não precisam ser suplicadas, elas vêm naturalmente.
 Eu não entendo, porque não quero entender e já faz um tempo que não peço nem gosto de explicações, muitas das coisas que me acontecem. Mas entendo que quero ser feliz, e para isso terei de aprender a ser fria com o que não me desperta conforto.
 Por favor, deixemos as pirraças de lado, para você viver bem não é preciso que eu viva mal, apenas não te quero mais à meu lado. 
 Ah sim, não vista carapuça alguma, Estranho, o que escrevo aqui sou eu, eu e eu mesma falando comigo mesma.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Por Favor SUMA!

Eu não quero seu amor; não quero sua hipocrisia, muito menos sua mesquinharia; menor valor ainda dou à sua falsidade, cousas que coloquei depois do primeiro ponto e vírgula são os brindes que vêm acompanhando seu "amor". Pessoa de baixo calão você, do tipo mais baixo possível, nos manipula e volta triunfante com todo mérito para si mesma, se não prestarmos atenção estaremos agindo não menos automaticamente que robôs; e mais, tudo que conquistarmos você dará jeito de fazer parecer que foi com sua ajuda, semanas depois este nosso feito que você logo fez o favor de mascarar nos será jogado na face da maneira mais nojenta que um próprio escarro o seria. Ah claro, depois virá o fazer as pazes (afinal, como poderia viver você sem seus robôs operários?), tens dinheiro o suficiente para comprar o perdão alheio. EPA, quase me esqueci, tenho ódio de dinheiro, maior ainda de você e isso de perdão, ah minha gente, deixe de hipocrisia. Fique ai em seu forte que eu vou ali para o que chamas de inferno (mas que sem você é o paraíso, digo, qualquer lugar sem você o é.).

PERFEITA

Luzes são acesas da mesma forma como são desligadas - Interruptor - fora isso existe algo chamado sol, a estrela do nosso sistema solar. Feiura é apenas ponto de vista, e vendo assim talvez mentira também seja, vou-lhes contar uma história: - Dezesseis anos atrás conheci uma mulher; mulher cheia de seus próprios mandamentos e (falsas) virtudes, tentei compreendê-la, "coitadinha, passou por muita coisa difícil na vida", depois de não conseguir entender noventa por cento de suas atitudes e falatórias sistematizadas e decoradas comecei a pensar, "será eu o problema?". Ela bravava "não minta, não grite, não seja social, não isso, não aquilo, SEJA PERFEITA..." e deixava uma reticencia para o "...assim como eu sou!"; oras, como não? Mas claro que era perfeita, quase que imaculada, tão verdadeira (comecei a pensar que as mentiras que ela dizia, no mundo dela eram verdades), tão pura (só falava palavrão nas horas de extremo nervosismo, uau, agora temos um exemplo à ser seguido!), tão calma (ela é calma, nós que a estressamos), tão correta socialmente (imagina se perde tempo comentando a vida alheia), de fato exemplar, pregava somente o que fazia (só que ao contrário). - Tá ai, linda história não? Acabei de inventá-la, imagina só se existisse mesmo uma mulher como essa em minha vida, eu teria constante vontade de cometer suicídio. Risos, muitos risos.

oito anos atrás

 Dinheiro não me é necessário nem muito menos estimado e cobiçado. Quero mesmo é um manual; manual da vida. Acho isso de viver cousa das mais difíceis, corrijo-me, acho isso de viver a cousa mais difícil das cousas difíceis. Ninguém soube me ensinar até então, ando por ai encontrando um milhão de espelhos, nenhum perfeito, corrijo-me novamente, não procuro por perfeição, procuro por felicidade, redigindo: , ando por ai encontrando um milhão de espelhos, nenhum feliz. 
 Começou a doer, a ferida foi rasgada oito anos atrás, desde então ando pelo mundo cheia de remendos, e daquele dia em diante percebi o quão ignorante sou, o quão somos; oras, vamos lá, só me peço que me ensine a viver, não me ensine com falatórias interminavelmente tediosas, ensine-me com atos, sem saber que é meu tutor; ensine-me a voar como por instinto uma mãe ave ensina para seu filho ave. É mesmo pedir muito?
 Há tempos perdi a esperança, e agora, de ano em ano, não consigo me conter (isso está ficando pior à cada ano), aquela ferida de oito anos atrás arde, coça, sangra, jorra sangue, sangue pisado, podre e infectado; infectou-me por inteira, já não tenho mais cura; já não comemoro anos de vida, comemoro um ano a menos; e enquanto o fim não chega vou indo arrastando-me à linha de chegada com meu sangue marcando meu infeliz caminho.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Você me fez assim.

Calada sou, certa estou.
Abro-me, corrompo-me.
Seus valores, meus valores. Num só, mescla de certo errado e nada disso.
Consentimentos ocultos, olhares disfarçados e lágrimas reprimidas.
Ah, essa música é tão boa. Ao menos não preciso que me ouça, apenas à escuto; percebo a compreensão.
Um cobertor, um play e um drama, muito drama.
Eu tento, tento mesmo, mas estou cansada de ter que ser mais madura do que sou.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Que é isso?

Quando criança todos meus questionamentos eram respondidos. As descobertas eram diárias e fascinantes. Os adultos, ah, os adultos, estes sabiam de tudo, todos muito espertos, deuses espertalhões, uns sábios outros tolos (tolos em sua maioria, tive eu sorte de conviver com um sábio desde sempre.). Agora estou crescendo, bolas, eu pensei que eles sabiam de tudo, descobri que na verdade não sabem nem do refrão. E agora? Haja responsabilidade, haja tempo e dedicação.
Não há mais dedicação, responsabilidade perdeu-se o significado, futilidade é tomada como ponto principal. Isso de viver e descobrir a vida é coisa para sonhador. Que é isso, nossas crianças não têm mais tempo de serem crianças, elas precisam logo ser robotizadas, precisamos de mão de obra, mercado consumidor e o caralho a quatro. O "quando eu crescer quero ser como você" já não existe mais, agora é "quando eu crescer quero ter tudo que você tem, e mais!". Que é isso, eu clamo por sensatez, menos montes e mais diversidade.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

como deveria ser.

 Eu gostava de andar no meio da rua. Um dia me disseram que a calçada é que foi feita à pedestres, a rua pertencia aos carros.
 Eu gostava de andar pelada. Inventaram a roupa e disseram que era proibido sair pelado na rua.
 Eu gostava de caminhar na chuva. Um dia disseram que eu ficaria doente se o fizesse, e foram inventados guarda-chuvas.
 Eu gostava de ser criança. Um dia disseram que eu cresceria, tornaria-me uma adulta.
 Eu gostava de viver. E um dia disseram que a morte chega à todos.
 Agora só ando na calçada, coberta por panos, com um guarda chuva na mão; e veja que absurdo, nem mesmo posso fazer algumas graças (sou adulta, lembra? Adultos são chatos, é isso que eles fazem, chatices.) e esperando a morte.
 Mas ei, leiamos o título por favor. Pura mentira. Imagine só se eu contentaria-me sendo adulta. Jamé. Sou mesmo é uma garota na bota do pai com medo do mundo à fora. Pego resfriados à torto e à direita. É, ando com roupa, mas confesso, não gosto nem um pouco dessa ideia. Gosto mesmo é de perder o fio da meada e encontrar outras por aí e por ali. Gosto mesmo é de tardes de domingo vendo filmes alheios com meu pai. Gosto mesmo é de jogar xadrez e rir comigo mesma. Gosto mesmo é de matar saudade com o abraço que, conheço um Deus, sabe-o dar como ninguém. Sim, conheço Deus pessoalmente, na verdade sou até muito intima dele sabe? Sim, boa gente, boníssimo na verdade, dos melhores. Ih, olha só, mais um texto no qual acabo falando do meu pai. Deve ser saudade.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Propício

Ótimo dia para brigar com ela, o momento também, perfeito. Ironia claro. Amanhã é seu aniversário, e ontem, ouvi dizer, foi demitida. Ótimo dia.

Cavalo dado não se olha os dentes

O que me é dado de graça e me faz bem, aceito e aproveito de bom grado.
O que me é de graça e me desfaz, recuso sem muito alarde mas não esqueço de agradecer. Pois então não me leve às avessas, foi de graça, mas a mordida nem cócegas fazia.


sábado, 12 de maio de 2012

Incômodo, pessoal estomacal.

 No meio disso aqui pode acontecer muita coisa. O fim tornar-se um meio de... Posso estar falando da minha dor de barriga, ou da minha última decepção. Relações são sempre tão complicadas. Sabe, não moro sozinha, e hoje mais cedo ao usar o banheiro (vaso sanitário, mais precisamente), percebi que o papel higiênico havia acabado. Tantas vezes pedi à ele para não deixar sem refil.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Juro por Deus

Algo mais sufocante que o próprio sucumbir do sono, sim, sono; pois a morte eu não poderia dizer; é que eu nunca morri.
Mais humilhante que a percepção da falta de coragem. 
Quem são eles para nos dizerem o que devemos ou não falar? Ou o que devemos ou não dever?
Mundos abaixo e anos à fio, nada disso foi feito via inércia. Ei, até mesmo para não me privar de vida movimento-me, voluntária ou involuntariamente. Deixe-me, se eu quiser, em meu território, eu posso.
Não tão diretamente, mas, eu não te quero aqui. Sabe, não preciso, e não quero ajudar. Sim, não, é tudo uma questão de nomenclatura e visão, onde estamos e para onde iremos isso não mais irá importar. Cousa alguma.
Difícil me é chegar no ponto onde quero, considerando que nem mesmo sei ao certo (nem ao errado). Que importa? Vou ali comer torta, talvez ajude. Risos.
Porcaria, esse barulho me irrita. Essas pessoas também. Quando o mundo for meu mandarei matar a todos. Na verdade, no meu mundo, já estão todos mortos. Sim, e quem os matou fui eu mesma. É.
Eu gosto das coisas limpas, gosto das sujas também, e não sei quais prefiro. O que importa é que não gosto de você, nem de seus atos. Por Deus, eu agindo e falando dessa maneira já teria me capado a língua, e até mesmo deixado-me levar por uma morte silenciosa (eu juro, seria um favor ao mundo!).
E tem mais, gosto de jurar e clamar por Deus em textos, fica mais bonito. Sarcasmo, é sempre lindo. Se não por ele, por mim. Se não por mim, por ti mesmo; és uma vergonha até mesmo a ti.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

srta.Problema

Segunda Parte*
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Seu único, não único, mas a raiz de todos seus outros problemas era não ter controle sobre si própria. Realmente algo perturbador, nunca saber ao certo o que quer, o que busca e o que é realmente o melhor; isso a fazia não opinar, fazia com que deixasse a onda mais violenta e perigosa levá-la para onde for; ia de olhos fechados, coração acelerado e sorriso no rosto. E o que mais a encorajava a agir sempre da mesma maneira: Nunca fora pega.

terça-feira, 8 de maio de 2012

Onde antes era demonstrado sofrimento com um sorriso faceiro às escuras; agora, existem atores, envoltos em seus próprios clichês, cheios de sorrisos escondendo rios de lágrimas, de crocodilo.

domingo, 6 de maio de 2012

Só uma nota

Detalhe. Isso é tudo. É a essência, de onde vem todo o resto, e sem o qual nada poderia provir. - Falou a garota de não mais de vinte e quatro e nem menos de vinte anos; o cabelo preso num rabo de cavalo, ou de raposa, como ela gosta de dizer. Camiseta surrada, calçando apenas uma meia furada sem o seu par; calça do pijama cujo a parte de cima sumira sem deixar rastros. Copo de chá flamejante a sua frente e dentes por escovar.

sexta-feira, 4 de maio de 2012

meu, meu, só meu

Sou eu quem decido a hora de colorir o meu preto e branco. De modernizar o meu rústico. De afeminar o meu másculo. A não ser que queira viver por mim. Não, nem assim.

Passáros e Florês

Adentrando pelas beiradas encontrará coisas estranhas. Pelo centro não será diferente. Eu vi flores, disfarçadas de pássaros. Flores. Pássaros. Flores e pássaros. Pensei ter ouvido um ruído. Era o canto das flores disfarçados de odor de pássaro. Só que ao contrário. Eu estou olhando através da minha própria janela. Um vitral colorido, de formas contorcidas e gritos silenciosos; cheio de flores disfarçadas de pássaros.

eu estou dormindo

Consumiu-me enquanto eu cuidava de continuar viva; enquanto eu me ocupava com o, no momento, de menos importância. Chegou de mansinho, sussurrando coisas inteligíveis, na intenção de que eu parasse para compreender. Silêncio. No segundo seguinte, dentro do ínfimo intervalo, eu pude realmente perceber o quanto finita sou. Adentrei agora no infinito, que me arrebata como uma ventania, suave e selvagem. Eu estou voando.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Sweet Home


Teria sido um lar perfeito; se não fosse pelo sangue espalhado por toda a casa. A mãe morta em cima da cama. O pai pulando a janela após ter matado a mãe por estupro. E a polícia arrombando a porta da frente.

o mundo dos relacionamentos

Preciso-me ter-te. Preciso-me completar-me. Preciso-me que me queira. Preciso-me do além.
Preciso-me entender-me. Ajude-me. Aqui no fundo há uma fissura, aberta, em chamas; grita suplicando seu nome. "Precise de mim assim como preciso de ti.". Sim, é complicado chegar perto. O abismo é fundo e está escuro. Que importa? É disso que vivemos, e disso que precisamos para não parar. Desconhecido. Eu vou surtar, e quando eu surtar, bom, poucos ficarão por perto. Não fiquem. Ou fiquem. Mas me deem espaço. Não. Voltem, já não estou mais surtada. Não importa quantas vezes aconteça, precisamos disso para viver. E quando pensar que já foi fundo demais, acredite, preciso-te no mais profundo.

relacionamentos e o mundo

O cansaço juntou-se com a desistência (e até mesmo um pouco de desistência) e tomou-a por inteiro.
Pessoas que não entendem com meias, inteiras nem inteiras e meias palavras. Tiram suas próprias conclusões de assuntos que não lhe dizem respeito. Querem tomar conta de sua vida, querem lhe possuir os saberes e feitos. Pra puta que pariu.
"Eu não sou idealista, eu não quero mudar o mundo. Sei que nem ele, nem as pessoas têm salvação (tiro por mim). Eu estou pouco me lixando para sua opinião revolucionária. Eu só quero viver a minha vida, sem que nada me chateie. Por favor, saia do meu caminho."

uma porcaria de ciclo vicioso

A única razão pela qual aceita seguir em frente é justamente por não ter encontrado nenhuma outra razão forte o suficiente para fazer uma escolha; e enquanto isso não acontece quem à direciona são seus pés, ou o torpor, tanto faz agora, e sempre.
Gostaria de entender a fraqueza, e o que é realmente ser forte. Assim talvez descobrisse em que parâmetro encontra-se. 
Tão fraca, tão cascuda, tão frágil, tão dura.
Sim, ele apareceu. Como sempre, descaradamente. Ficarão bem mais um tempo, e então uma nova briga.
Essa foi a última vez. Passa mais um tempo, e parece que tudo é rebobinado. Os dados estão viciados.

terça-feira, 1 de maio de 2012

Feriado Prolongado

Um pouco de chá e um cobertor bem quentinho. Livros e séries. Muito frio. Uma tigela bem grande para fazer a mistura, e voilá.

domingo, 29 de abril de 2012

Eu não tenho mais tempo para me preocupar com as minhas mediocridades. Tão inúteis. Tão medíocres.

Interior Poluído

Somos humanos por conta da sociedade em que vivemos. Nos tornamos selvagens e irracionais por meio da mesma; esquecemos de quem somos, ou porque somos. Valores já não significam muita coisa. Pessoas viraram coisas. Coisas controlam pessoas. E tudo que dizemos querer é a felicidade. Por quê? Me explique essa busca de felicidade que eu não compreendo. Nem quero. 
A minha busca é por mim mesma. É um trabalho árduo, e diário. Tão difícil hoje em dia. Eu bocejo, você me imita. Você pisca eu te imito. Já fui eu, eu mesma algum dia? "Somos tão jovens", somos? Já não passamos da cota de perder tempo? Ah, eu estou cansada, cansada de me buscar num interior poluído.

Forte

Depois de tantos meses de crença, veio o furacão e pôs tudo ao chão. Não, você não é forte, não é e sabe disso.  Bastou a simples visão do nome, um vislumbre no passado, uma incerteza, coisa pouca, muito pouca. Eu que sempre me avisei - Não volte mais lá! -, o que eu tinha de fazer lá? O que? Agora nada mais importa, nada mesmo, caso eu não seja eu passarei a ser.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Devia ser por volta das duas da manhã. Ele caminhava pelos cantos das ruas, protegendo-se da claridade e da garoa que estava a tornar-se chuva. Os fones postos e o volume no máximo. Aconteceu muito rápido, uma mão segura-lhe o abraço e pressiona algo em seu pescoço. "Deve ser uma arma" - Pensou. Um estrondo. Escuridão...
...Não virou onde vira habitualmente, e pediu para sair mais cedo do bar onde trabalha. Os fones com volumes mais baixos, e passos mais largos. Chega em casa, abre a porta. Outro estrondo, outra escuridão...
Vamos para o próximo universo.

Para Vocês.

Eu vou sorrir Carolnosamente. Eu vou ser Marinosa. Eu vou amar Karynnosamente. Eu vou atrás dos meus objetivos Giuliamente. Eu vou fazer amigos Biancamente. Eu vou ter boa conduta e caráter Gustavamente. Vou me divertir Mauríciamente. Vou ser inocente Marianamente. Vou arrancar sorrisos alheios tornando-me Biosa, Jéssicosa e Vitosa. Vou tentar agradar aos amados Viquitorosamente. Serei esperta Liviamente. Quieta, porém muito amiga Rodrigamente. Chata e indispensável Lucosamente. Fechado, porém carente e amável Rogermente. Serei rápida e com o sorriso estonteantemente lindo Leticiosamente. E por fim, serei simplesmente eu, ao lado desses tão amados.

Ela é Sagitariana

Bonita, muito bonita. De sorriso encantador e andar peculiar. Não, eu não quis rimar, é verdade mesmo. E a voz? Tranquiliza meus dias. Garota inteligente, do ar desconfiado. Cheia de segredos. Vamos descobri-la?
Tão certa. Não pelos padrões. Simplesmente por ser.  Conheçamo-a e admiremo-a, é inevitável. Inevitável. E o nome? Ei, termina com e, não com a, vê se não erra.
Ele foi muito genial, muitíssimo brilhante e em dobro foi amável. Me amou e eu o correspondi, intensamente. Voltei de lá e espero até hoje isso acontecer. Não foi vislumbre. Foi sonho.
Não sou mesmo de me importar com pensamentos e dizeres alheios.
Mas, uma hora dessas, matutando sozinha, percebi que me importo demais com o que penso.
Porque é num ponto branco que encontramos a total liberdade para dizer tudo, sem dizer nada. É apenas um ponto branco. Não importa que seja repetitivo, muito menos que seja o não ser. Pode servir como distração ou tranquileza. O gostoso pode ser ora azedo, ora doce. A liberdade quando muito intensa pode nos manter em cativeiro, imenso, porém existente.
De alma ferida, rasgada e pisada.
Coração, bom, agora é pedra.
Cabeça erguida, acho que é assim que dizem.
E seguindo em frente.
E então? Será que no próximo passo as coisas mudarão?
Será que no próximo grito toda angustia irá embora?
No próximo escarro toda a repulsa?
De você e de mim, mais de mim que de você.
Eu quero ir embora. Embora desse nimbo.
Nimbo de emoções e não emoções.
Incertezas e não certezas.
Eu estou realmente cansada. O fado já pesou demais.
E não tem ninguém para dividir o peso.
De qualquer forma, minha cabeça está erguida.
Quanto avanço.

terça-feira, 24 de abril de 2012

2:40 da manhã. Sono parece-me agora (e atualmente sempre) um sonho inalcançável; como água para quem padece num deserto.
Eu pisco e o despertador toca. 5:30. Hoje simplesmente não me quero ser. Ele me chamou, e eu aceitei. Brinquemos. Agora eu quero o primeiro lugar.
-... trabalho? - 
Acordo do que mais pareceu um sonho do que um simples devaneio. "Como foi o trabalho". - Como sempre, boa noite.
Deixa pra amanhã.
 - E agora? - Olhou-o debaixo para cima enquanto acendia seu cigarro.
 - Quer dizer, e depois? - Respondeu sem preocupar-se em levantar o olhar, entretido demais com o botão de sua calça.
 - Também.
 - Eu não sei. Eu não consigo dormir, sem dormir eu não penso.
 - Já falei para parar de se sobrecarregar.
 - Já. - Pegou o casaco e saiu pela porta.
 - Eu te amo. - Sussurrou após a porta ser fechada.

domingo, 22 de abril de 2012

agora eu quero brincar. Eu mato, você morre. Você ressuscita, eu mato novamente.

 Com palavras eu posso me tornar uma rainha. Ou a última tirana, tornando-me ditadora. Posso também prender-me no mais pútrido calabouço de alguns séculos atrás. Eu posso mentir, tornar-me em uma bela mentira, uma mentira admirável, uma mentira meia verdade. Você não pode me deter, aqui é meu mundo, eu dito as regras, eu determino quem morre e quem mata.
 Hoje eu quero ir do cordeiro ao lobo. Quero também aquela mulher, as duas na verdade, a frágil e a fatal. Quero o homem que lhe espancou a face, quero sentir como é estar na pele do agressor, sentir o que ele sente, sentir o prazer correr-lhe as veias, sentir a vontade de bater até matar. Chega. Agora eu quero mostrar minhas fraquezas, talvez eu esteja mentindo, não sei. Não sou boa em blefar, é com a verdade esfrêga que lhe deixo confuso. As palavras tornam-se assim minhas cartas na manga, meu coringa, minha chave mestra, o meu mundo compactado pronto para descompactar-se da maneira que eu escolher. Vamos, isso é apenas o início.

e o dia em que eu não tiver talvez eu invente outros

Um dia eu fiz das tripas coração, e você o retalhou até voltar às tripas. Um dia eu acordei feliz e tive que me conter, você não gosta de me ver feliz. No outro, eu acordei com o olho roxo, a boca inchada, e novamente o coração retalhado. Cada vez mais. É possível?
Diziam que não seria fácil, que eu desistiria. Oras, como desistir? Ora bom ora ruim, mas o bom é tão bom, como desistir?
Eu tentei não acreditar nos covardes que desistiram no meio, tentei não ouvir suas explicações (plausíveis, eu admito) do porque. Eu tento até hoje. Será que vou conseguir? Eu não sei, e não me importa saber. No momento eu tento, no momento eu levanto, mesmo com as pernas quebradas, eu vou correr. E não importa como, desde que eu tenha meus motivos intactos.

eu decido que não é isso que quero

Um milhão de analogias, meio de palavras não compreendias, um terço de brigas sem fim e um quarto escuro, frio e depressivo.

porque de vez em quando é muito bom matar

Colocou a música para tocar, aumentou moderadamente o volume e apagou às luzes. A janela estava entreaberta em conjunto com a cortina, deixando apenas uma fresta para a luz e o vento entrarem. Lá fora chovia e fazia frio. Dentro, estava perfeito. Soltou os cabelos e os balançou devagar, deixando-os ajeitarem-se naturalmente. Foi andando lentamente em direção ao quarto e parou na soleira da porta enquanto observava ao homem em sua cama. Sorriu presunçosamente e entrou no quarto. Encostou, com carinho, seus lábios nos dele, acariciou-lhe a bochecha - Eu te amo. - sussurrou. Levantou-se novamente, pegou o celular. - Pode vir buscar o corpo. -. Saiu do quarto, passou pela cozinha pegando seu copo de vinho, aumentou o som e ficou à observar a paisagem pela fresta da janela ao lado do toca discos.

O excêntrico que o é naturalmente, me é interessante.

Meu interesse não está no fácil, nem no difícil. Está no exótico, no que, anos atrás, seria o normal. Meu interesse está no brega, no cafona e no piegas. Eu não me interesso quando você está assim, tão interessado, tão cheio de charme, tão cheio de si e de segredos incontáveis. Eu me interesso pela sua bobeira, pela sua naturalidade, seu olhar perdido no nada. Não me interesso por literatura, mas também não sou muito chegada no popular de hoje em dia. Eu me interesso pelo que faz pensar, o que me faz repensar. Eu não me interesso por mim, eu me interesso por aquela que aparece de vez em quando, ligeiramente sorridente, sorrateiramente excêntrica. É isso.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

e eu estou cansada de me dizerem que não posso andar pelada na rua, falar palavrão e não pentear o cabelo.

Eu só quero um tempo para poder pirar. Uma hora de gritaria, correria e histeria. Um minuto de puro descontrole. Eu quero um cabelo mais bagunçado que o normal e o pijama substituindo a calça jeans, por um dia. Eu quero a quebra de algumas regras, eu quero esquecer o horário. Quero esquecer de quem sou e porque sou. Esquecer do depois, e das consequências. É isso mesmo, eu preciso disso, se eu não tiver esses momentos de pura liberdade descontrolada eu piro completamente e sem volta.
Eu quero mandar as regras para puta que pariu, pensar por um segundo que se elas existem é porque temos o direito de quebrá-las. E não, eu não vou me importar. Eu preciso disso, do contrário eu não seria um ser humano. Eu quero, por um momento, agir por mim mesma, sem pensar no bom senso, nas razões milenares, no certo e errado "inato", eu quero por um momento ser eu mesma, só um momento...

domingo, 15 de abril de 2012

Consegue escutar essa música? Escutar, não ouvir. Escutar é senti-la, deixe esse solo te possuir para que você então à possua. Solte seu corpo, a música está te levando agora. Grite se sentir vontade, ela é sua comandante, e ela comanda que você se liberte. Ela comanda que você solte, sem se preocupar com o bonito, tudo que tiver ai dentro de você. Pule se quiser, finja estar voando. Aumente o volume, coloque-a para repetir. Dance até o suor pingar. Cante junto, grite, fique rouco. Vá para o meio da multidão e sinta como estão todos além daqui, além do visível e sensível, estão todos possuídos por ela. Se você morrer agora não teria problema nenhum, iria dançar pela eternidade. Sentir esse agudo queimar-lhe a alma até o fim dos tempos. Sentir esse riff arrepiar-lhe até o ultimo fio de cabelo. Até o fim dos tempos.

O Fim

 Acordou e sentiu-se estranha. Não estou em minha cama, pensou. Estava largada num canto de qualquer lugar, parecido com tudo, menos com sua casa. Ao tentar se mover sentiu fortes dores no corpo acompanhada da percepção de suas roupas rasgadas. Esquecendo-se da dor olhou em volta e viu que não conseguia ver nada, havia apenas a luz do luar, iluminando o que parecia, uma casa cheia de fuligens, completamente devastada pela fúria do fogo. Quando tentou gritar por socorro sua voz não saiu como esperava, saiu algo parecido com o miado de um gato rouco. Tentou-se levantar, conseguiu, foi seguindo apoiando-se nas paredes.
 - Ei, o que está fazendo aqui? - Apareceu um homem à lhe perguntar.
 Com esforço ela sussurrou uma pergunta. - Quem é você?. -
 - Eu sou a Segredo Revelado. E você só deveria seguir nesse rumo depois de estar preparada. - Respondeu sem muita paciência.
 A garota caiu e tentou lembrar-se de suas últimas horas antes de acordar naquele lugar horrível. Haviam mortes, haviam gritos de angústia e medo nunca ouvidos, nunca atendidos. Havia um tapa na cara, umas palavras mal pensadas antes de proferidas e algumas traições. Já exausta e petrificada pelo medo, resolveu ficar por ali mesmo, pelo menos por um tempo. 
 - Você não pode ficar aqui, se quiser descansar volte de onde veio. - Cutucou-lhe um homem, batendo sua bota nas costelas da menina.
 A garota, um pouco melhor, conseguiu absorver as informações que lhes eram dadas. Um segundo depois olhou ao redor, com medo de encontrar o primeiro homem que encontrara na casa, relaxou-se ao constatar que ele não estava mais ali. Havia outro, o que logo lhe fez ficar tensa novamente, olhou em seus olhos e perguntou com a voz trêmula. - Qua... qual seu nome? -
 - Eu sou o Amigo Traidor. - Olhou-a no fundo dos olhos, sabendo dentro de si que ela sabia, e sentia, todo o significado do que ele era. 
 Tentando desviar o olhar indagou novamente, tentando controlar melhor a voz. - Eu perguntei o seu nome, não o que você é. - 
 - Garota insolente e burra você. Neste mundo, nosso nome é o que somos. De forma alguma o contrário. - Saiu andando, e, já um pouco longe falou alto, - Acho bom apressar-se, não sei quanto tempo ainda tem. - 
 Mais uma luta para levantar-se e manter-se em pé a garota prosseguiu. Num dos vários corredores encontrou uma criança chorando com a cabeça entre os joelhos. Aproximou-se lentamente, e por fim ajoelhou-se ao lado do menino. - O que um garotinho faz num lugar como esse? -. O garoto, com olhos enfurecidos, à olhou e rapidamente, fazendo sumir toda a inocência, - Eu sou esse lugar, todos que encontrar aqui são esse lugar. Você, mais do que ninguém, deveria saber disso. - A garota, já não tão assustada, talvez por estar compreendendo tudo, ou quase tudo, perguntou. - E além disso, o que você é? - O garoto sem tirar os olhos dela, segurou-a pelo rosto, com as duas mãos em suas bochechas e disse num sussurro. - Eu sou o Sonho Não Realizado. E você, é uma garota incompetente. - A garota levantou-se e seguiu andando, desta vez, com mais medo do que no início, já que se seguisse na ordem, o que viria agora, seria a causa do fim. 
 Depois de muitas horas andando sem parar, passando por lugares horríveis, com cheiros horríveis, chegou no que parecia ser o fim da casa. Havia uma porta no fim do corredor. Parecia ser a única iluminada. Haviam gritos, gritos de histeria, e os gritos tinham sua voz. Sentiu que suas lágrimas agora caíam de seus olhos sem que ela pudesse controlar. Seguiu andando, com os joelhos dobrando sem controle à cada segundo. E ao chegar na maçaneta suas mãos tremiam, sua força sumiu, o suor pingava. Sem sucesso, alguém de dentro parece ter aberto a porta. Ao entrar, viu a si mesma em flagelos, cada uma de si estava mais acabada que a outra. Eram arranhões e mordidas pelo corpo, tufos de cabelos sendo arrancados, roupas totalmente rasgadas, banhos por tomar. No centro de toda essa histeria, havia um homem, ela o reconheceu e logo começou a chorar descontroladamente. O homem estendeu-lhe a mão e pediu para que ela não tivesse medo. Como não ter? Ela aproximou-se e sem esperar a pergunta, o homem respondeu-lhe. - Eu sou a Morte do Seu Pai. - Ela, misturando-se às outras, começou a gritar e rasgar-se inteira. Abraçou o homem no centro da sala. E, sem aviso prévio, tudo ao seu redor parece ter explodido, apenas os dois ficaram intactos. Alguns segundos depois, e nada mais existia. Nem ele, nem ela. Nem o medo nem a coragem. Apenas o torpor.

sexta-feira, 13 de abril de 2012

emaranhado de confusões

 Hoje escreverei em terceira pessoa. Pensou ela. Hoje, em vez de traço, usarei pontos. E em vez de eu, falarei e ela, ou ele. Acho melhor ela.
 Havia sido um dia diferente. Uma semana diferente. Não, o sol continuava à rachar-lhes a cabeça, e as aulas continuavam a arrastarem-se no tempo. Tinha porém, alguns poréns. Ela conheceu uma minhoca. Foi visitá-la em sua sala, quando acordada, nos seus sonhos mais profundos. - Isso é uma minhoca? - Não. Era uma taturana. - Minhoqueima. Prazer em conhecê-la senhora. À que devo a honra? - A taturana permaneceu calada. Em alguns segundos estavam todos rodeando-a para tirar fotos e conhecê-la melhor. - Ah, acabo de me lembrar. Você é aquela minhoca famosa. A viajante do tempo, da calçada da fama, dos sonhos e pesadelos das crianças. Ei, ela não sobreviverá lá fora. - Nunca mais. O sorriso dela havia ficado mais bobo, mais leve, mais faceiro. Ela não queria avançar, da mesma forma que queria muito descobrir qual seria o fim. 
 - Eu preciso de sua ajuda.  - Pediu à Joaquina.
 - Diga, verei o que posso fazer. - Respondeu.
 - Preciso que me ajude a entender-me. Sabe, eu li um cara que dizia que escrevemos sobre o que entendemos. Tenho eu algum problema? Se procurar em meus textos escritos e subscritos encontrará um emaranhado de confusões dúvidas ódios e amores. Tudo num só, tudo num momento, tudo separado, todo explicitamente implícito.
 - Olha, eu sou você, a única coisa que posso fazer, no momento, é rir. Já que você está feliz, e com vontade de rir.
 - O peixe da sabedoria matou-se. Ainda bem que ainda lhe tenho Joaquina. - Riram as duas.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Grite Comigo!


 Eu estive lá e eu posso dizer que estive. Não posso dizer com palavras, o faço e o posso com atos. Eu estive lá e se eu dissesse ninguém acreditaria. Eu estive no podre de minh'alma, nos encravos do meu pior, nos picos de minha loucura. E eu grito - Eu não sou louca, eu não sou louca. -, cuspi na cara do rei. Despenteei a rainha. - Eu não sou louca. Por favor, não me perdoe, eu sou louca. -. 
 Não posso dizer ao certo o correto e o errado. Eu sou louca e não sei onde é o limite entre minha sanidade e minha loucura. Eu sou normal. Eu não posso dizer o contrário. Eu faço. Ora com medo e coragem, ora sem medo e sem vergonha, nem na cara nem em lugar nenhum. Eu não me importo com quem morreu hoje. Nem com quem vai morrer. Muito menos com os vivos. Eu me importo com quem eu realmente posso dizer. Me importo com quem, de alguma forma, me entende. Me decifra, me mata, escarra, bate em minha face. Somos bons amigos, eu me importo.
 Não quero tapas nas costas. Eu quero escarros, eu quero murros. Eu quero gritos selvagens de uma loucura há muito reprimida. Eu quero gritar e quero que você grite comigo.

terça-feira, 10 de abril de 2012

isso deveria ser como é

 Não, eu não acredito em destino. Seria jogar uma vida inteira pela janela. Acredito em surpresas, acredito no inesperado, no acaso, tão casual...
 ... Tão casual o acaso, que, por ventura o é, não sendo. É como aquela doença, que, como diz ele que disse para ela que por fim me disse: "Só quem tem entende, quem não tem não faz a mínima ideia". Entende? É assim, assim o acaso tão combinado quanto o desencontro acidental. Mas, eu deveria morrer hoje. Não morri. Não morri pois não deveria morrer hoje.
 Olha, eu vou ali, olhar o céu, está chovendo e é lua cheia. Noite maravilhosa. Não posso perder tempo. Isso é como deveria ser. Eu escolhi assim. Poderia ter escolhido diferente, e então seria como foi. Mas não foi, é. É como deveria ser.
 A história não muda.

sábado, 7 de abril de 2012

Belle Époque de Hoje em Dia

Eu gosto do antigo, gosto do passado, do rústico, do amarelado e do preto e branco.
Eu vou da geração perdida, aos hippies. Passo pelos surrealistas indo à art pop. Durmo ouvindo Cole Porter e acordo ao som de Danzig. Sou tão antiga quanto contemporânea. Eu vivo o agora apreciando o anterior. Que lindo, que mágico, vamos viajar no tempo, não podemos parar. Nos tornamos nômades, amantes de todas as épocas. Lindas, maravilhosas. Todas épocas de ouro, todas.

quarta-feira, 28 de março de 2012

Verdade ou Desafio?

 E daí que ao piscar, minhas pálpebras pesam pra subir? E daí se meus interesses mudaram? Qual é o problema se hoje me interesso por músicas mais melódicas, cinema à balada e troco facilmente uma zona por um filme debaixo dos cobertores? Qual o problema se eu resolvi pensar em você sem parar? Resolvi sonhar acordada sem disfarçar? Despentear de vez meu cabelo? Passar batom vermelho? E daí se eu mudei? De lapidada tornei-me bruta. Brutalmente delicada. Cuidado. Não por você, mas por mim. Cuidado.
 Agora eu ando por ai falando sozinha. Rindo no meio do nada. Quando lembro de você. Sua voz. Hoje eu senti seu cheiro no ônibus. Que perfume você usa? O quê? Eu avisei, cuidado. Posso nunca admitir, aliás, prefiro que você fique sem saber mesmo. O quê? Nada. Pensei alto. Sonhei acordada. Voei deitada. Pausei o tempo em minhas memórias. Naquele jogo, naquela brincadeira, onde nem eu sabia.
Eu te desafio a...

terça-feira, 27 de março de 2012

Canibal

Eu quero gritar, gritar até sentir minhas cordas vocais estilhaçarem-se. Eu quero rasgar minhas roupas, quebrar minhas unhas e fazê-las sangrar bastante enquanto me rasgo inteira. Eu quero arrancar meus cabelos em tufos. Eu quero me morder até arrancar pedaço, quero ver o sangue jorrar. Tomá-lo no café da manhã batido com aveia. Eu quero chorar até morrer seca. Eu quero que tudo isso se repita com você. Eu quero morrer enquanto lhe mato.

segunda-feira, 26 de março de 2012

sem vergonha hoje, hoje sem vergonha. Discretamente.

Hoje ainda é hoje, hoje eu ainda estou com vontade de transformar ponto em vírgula, parágrafo em ponto e circunflexo em agudo. Que hoje mais cumprido. E eu quero, quero tanto deixar-me ser, ser-me por completo. Mas nossa, sou tão travessa, e se o controle perder-se de mim assim como eu o vivo perdendo discretamente? E se o discretamente for embora?
LINDO.
Será lindo. será enfim a liberdade, a liberdade encravada, presa à siamesa somente a ela mesma. Oh, que belo seria, que mágico, mágico, mágico, belo, tão belo quanto mágico, tão mágico quanto belo. NÃO. 
Paremos por aqui, deixar-te-ei no castigo, no hospício, não. Hospício seria colônia de férias. Vá-te ao paraíso, ao paraíso dos chatos. Ou cale-se.
Calei-me. Discretamente continuarei-me sendo.

preciso precisamente do necessário

Eu preciso do que me é necessário agora. Eu preciso que você precise de mim. Eu preciso do que só eu sei que preciso. Eu preciso de quem só eu sei que preciso. Eu preciso que você descubra que preciso. Descubra e depois me explique. O que eu preciso?

Galáxia dos Perdidos

 Fazia tempo que não ouvia essa música. Essa voz. Que voz. Me parece sapeca, inocente, menina, criança, correndo, brincando, pulando na lama. Mulher, experiente, sorrateira, sedutora. Que voz. A melodia, a melodia lenta, brevemente rápida, uma raposa, um coelho, apareceu e sumiu. Novamente a lentidão, é uma sereia, mas sereias são rápidas, é uma não-seria nos intervalos do ser sereia. Que voz, que música, que dia.

domingo, 25 de março de 2012

e tem mais, eu peidei

Eu sai de pijama na rua. Eu vi os olhares indignados. Eu sorri, aliás, eu gargalhei enquanto confrontava os olhares. Eu fui trabalhar sem sutiã, junto com aquela camiseta rasgada. Brincaram, perguntando se eu havia ido pra guerra, respondi que muito pelo contrário "Cheguei ao paraíso, por isso hoje estou assim". Todos riram, aliás, todos riem de mim. Sei disso, ninguém me compreende, dizem que tenho distúrbio de personalidade, preciso superar os limites e crescer "não vivemos num conto de fadas". E daí? Eu quero viver num conto de fadas. Eu quero andar de abóbora. Eu quero andar nua pelas ruas, eu quero rir da cara daquele magnata cujo qual estão todos puxando o saco. Quero ficar tão feia a ponto de ficar linda, e quero que todos fiquem igual! Quero poder te dizer "Ei, eu te amo, mas eu não te amo por você, eu te amo por mim. Te amo, porque você me amplifica. Te amo não pelo seu sorriso ou pelo seu cabelo hidratado. Eu te amo pelas merdas que você solta sem importar-se, eu te amo porque eu gosto do seu jeito horrível de andar e ser e vestir e falar e ser. Eu te amo"

hoje meu cabelo não cacheou

Hoje meu cabelo não cacheou.
Hoje o sol não veio;
ele veio, quando eu estava com calor.
E quando eu senti frio ele se foi.

Hoje meu cabelo não cacheou.
Hoje eu não pude sentir,
não pude olhar,
não pude dizer.

Hoje eu queria ter dito;
Eu te amo.
Eu te quero.
Não vá.

Hoje foi um dia perdido.
Hoje meu cabelo não cacheou.
Hoje meu perfume quebrou.

Hoje eu te vi passar.
Hoje vi que você não olhou pro lado.
Hoje eu não sabia.

Hoje eu não sabia.
Não sabia que te amava.
Não sabia como isso aconteceu.
Nem quando.

Hoje eu só queria poder quebrar algumas regras. Hoje eu só queria fazer uma poesia virar texto e no texto sentir a poesia. Hoje eu só queria poder te olhar sem sentir nada. Não. Hoje eu queria te beijar intensamente, sentir o seu corpo arder no meu. Hoje eu queria gritar pro mundo que eu quero ser dominada por você. Hoje . Mas hoje amanhã será passado. E amanhã já não será hoje. Será hoje, e eu já não irei mais querer isso.

domingo, 11 de março de 2012

Eu gosto da reciprocidade das pequenas grandes coisas.

Dê-me seu melhor sorriso, que eu lhe dou o melhor de mim.
Dê-me suas palavras mais sinceras, que eu lhe darei meu melhor amor.
Dê-me sua amizade em seu mais intenso sentido, que eu lhe dou minha lealdade.
Dê-me você por inteiro, em seu mais bruto estado, que então, eu me darei por inteira.
                                                                             

eu preferia ser um diamante bruto


 Atordoante é, para quem já foi a pessoa mais feliz do mundo, acostumar-se com a monotolidade das pessoas. Com os tons pastéis e sorrisos encardidos de superficialidade, de frases feitas.
 Atordoante é, para quem está acostumado com risos altos, acostumar-se com os jantarem em silêncio e bom dias no piloto automático.
 Atordoante é, para quem está acostumado com a simplicidade de pequenos detalhes, acostumar-se com pessoas que, em suas palavras, dizem que ser feliz é perda de tempo.
 Atordoante é, para uma pessoa, tornar-se outra.

quinta-feira, 8 de março de 2012

Pequeno Universo. Grande Confusão. Part.2

Sete anos e meio atrás:
- Estou grávida, vou me mudar e me casar. No fim do ano você vem comigo. - Anunciou a Pequena Lagarta.
 A garota não sabia bem o que dizer, ou sequer, o que pensar. A verdade é que a ficha ainda não havia caído e ela ainda pensava que nada iria mudar.
 Sempre quisera um Complexo, já estava cansada de ser sozinha, principalmente na hora de brincar. O que ainda não havia pensado é que o Complexo iria começar a brincar quando ela estivesse já perdendo o interesse. Mas já era tarde para pensar nisso...
 O ano letivo acabou. O Complexo nasceu. Linda, era uma Complexa. Olhos azuis esverdeados acinzentados, cheios de uma deliciosa inocência e cabelos lisos feito a maciez das nuvens. - Você já tem seu quarto arrumado lá sabia? Que tal fazermos as malas? - Era hora da conversa séria, tão temida.
 - É aqui? Como poderei ficar tão longe do Grande Sábio?
 - Você o verá aos finais de semana. Agora sua casa é aqui, conosco.
 A ficha caiu, seu mundo caiu. As lágrimas desabaram. A cada dia acordado, um novo tormento. Odiava a escola, o bairro, a casa, os vizinhos, a vida!
 Hoje é sexta, dia de sorrir. As lágrimas hoje são de felicidade. Um abraço forte, aconchegante, sincero, o melhor abraço do mundo. - Grande Sábio, a semana longe de você parece uma eternidade! - Sábado, domingo, segunda. E tudo de novo. Noites em claro, saudades de coisas que nunca voltariam, vontades que nunca mais seriam supridas. Lágrimas que rolavam agora, com a mesma facilidade com a qual ela já sorriu um dia.

sexta-feira, 2 de março de 2012

Alheio Part.2

 Um grito, um grito extenso, agudo, grave, abafado, alto, um grito foi dado. Um último grito. Pensaram que era brincadeira. Pensaram que aquilo não existia, pensaram ser ilusão. Criancice. Mais uma de suas ameaças. Não!
Agora chega, eu cansei. Eu gosto mais daqui. Gosto mais do Ralf, do John e do Aragorn. Não gosto do espelho. Não gosto de mim. Eu me amo. Só não gosto de mim. Sim, tem diferença. Não gosto de explicações também. Como disse um dia meu maior ídolo "- Não se dá explicações sobre o que está escrito. Já que cada um entende de uma forma, e quem não entendeu é porque ainda não é o momento." - Eu não lhe quero mais. Eu não me quero mais.
 Eu me quero mais que nunca.
 Eu quero sentir o frio queimar em minha pele. Eu quero por que eu quero, não simplesmente por querer. Quero para sentir, para amar, para dizer, para demonstrar. Eu quero tanto. Eu não quero.

Pequeno Universo. Grande Confusão. Part.1


  Dois anos atrás:
 - Eu te odeio, melhor seria se você morresse agora! – Saiu mais uma vez batendo a porta na cara da Pequena Lagarta e foi embora. Já havia anoitecido. Os trovões ficavam cada vez mais intensos, e como se tudo conspirasse contra ela, no momento em que virou a esquina começou a tempestade. Sim, tempestade. Suas roupas num segundo colaram-se em seu corpo, a  blusa sem camiseta por baixo logo ficou transparente; o lápis marcado no olho logo começou a escorrer por seu rosto, só ficou intacto seu batom vermelho. Assim pelo menos ela podia chorar sem que ninguém percebesse, e assim o fez. Nem os soluços teve de disfarçar, já que podia muito bem fingir que era por conta do frio. Seu tênis já estava encharcado e a cada passo sentia seus pés nadarem. E a calça mais colada que o normal. Seus cabelos um pouco abaixo do ombro, geralmente tão volumosos em seus cachos definidos, agora estavam baixos, encharcados e não tão definidos.

  Hoje:
 - Que horas você vai chegar? Já está tarde, deveria descansar mais. Por que não vamos ao cinema mais tarde? Não gosto de lhe ver sempre tão cansada e sem tempo para si mesma.
 - Daqui dez minutos eu chego. Desculpe não ter ligado para avisar, mas tem muita coisa aqui ainda, esqueci até de comer. – Responde a Pequena Lagarta.
 - Tudo bem, o jantar está pronto, eu estou indo dormir. Boa noite, lhe amo. –

  Amanhã:
 - Não, você não vai. – Correu atrás da Pequena Lagarta sem intensão de deixa-la em paz caso não recebesse um “não” coerente. – Não quero que você vá. O lugar não é propício à você, não conheço bem as pessoas e já está tarde. – Olhou para cima, respirou fundo, mordeu seus lábios. – Ok, obrigada. Boa noite. – Foi para seu quarto, ligou sua música num volume que não incomodasse a ninguém e foi ler seu livro. Cinco minutos depois a Pequena Lagarta chega – Pode ir, mas fique atenta ao celular e me ligue quando for para lhe pegar. – Breve sorriso de canto, um obrigado e espera que a porta seja novamente fechada para que possa se arrumar.

  Hoje:

 Vestiu a primeira calça que encontrou, aquela papete velha, uma regata branca e foi pra escola. Não estava acontecendo nada de anormal, exceto o fato de que ela simplesmente não estava aguentando conversar com as pessoas que geralmente fica o dia todo. Os vícios e vontades de antigamente estavam vindo à tona. Talvez a culpa deste segundo fato fosse do Pequeno Leão. Um amigo que conhecera no ano anterior, saiu para beber algumas vezes, aprontou algumas coisas, e em pouco tempo tornou-se de grande importância em sua vida. Sim, ele havia repetido e agora estava em sua sala.   Ela havia parado com as bebedeiras de segunda a segunda e as extravagancias de comportamento. Ele, bom, estava cada vez “pior”. Acontece que isso estava novamente lhe interessando. A única coisa que a impedia de voltar eram as pessoas com as quais ele andava. Mas, a verdade é que de todos a pessoa com quem ela mais gostava de conversar horas ultimamente estava sendo ele.


  Ontem:
 Sim, a vontade dela estava sendo de realmente mandar a todos ali calarem suas devidas bocas, e, se possível, enfiarem-na no cu. Será que eles sabiam o que é respeito? Melhor, será que sabiam que estavam numa sala de aula? Mas que inferno, que inferno. Ela já não aguentava mais as conversas idiotas, os argumentos fulos, a má educação, nada. Nada. Retirou-se, os incomodados que se mudem. Mudou-se. Não sabe se volta.