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domingo, 4 de novembro de 2012

A verdadeira ilusão. A ilusão da verdade. II

Seis meses se passaram, as profecias foram todas realizadas; o sol já iluminava mais do que um dia o luar iluminou a noite e o sono, bom, deixemos para depois, talvez eu trate aqui da maneira como tratei da saída da garota para sua iniciação, principalmente.
- Por favor, eu preciso de água, não falo da água como água, a quero como essência. - Um suspiro, quase um grito, mas abafado no momento certo, no início, logo, nem suspiro nem grito. - Eu fiz o que pude e o que não pude, mas o que era pra fazer fiz e como por essência é o certo também. - Agora um grito, já não cabem mais palavras aqui, o homem a pega pelo pescoço e a levanta olhando em seus olhos, olhos de azedume, azedume limão com morango, o chocolate de outrora fora-se'mbora junto com as lembranças do quarto rosa. 
- Eu a avisei dos perigos e das angústias, não estamos com tempo nem forças pra intercepções, quero agora, não m'importa como seja, quero agora o que lhe mandei como fato consumado nessa noite. Acha que isso de ser filha do destino é algum tipo de brincadeira para passar o tempo? Acha que seu nome entrará p'ra história e sua morte será triunfante? Pois digo logo, desvista-se dessas ideias, sua morte provavelmente será das mais cruéis, e seu nome - Um riso sarcástico e silencioso - seu nome nunca lembrado!

domingo, 22 de julho de 2012

A verdadeira ilusão. A ilusão da verdade. I

  - A noite já caiu, os galhos estão uivando e os lobos já se esconderam, à essa hora eles já não são o mal dessa floresta. - Disse enquanto acendia outro candelabro com três velas e seguia em direção ao extenso corredor que seguia da dispensa à cozinha e então à sala. 
 - Mas eu tenho que ir. Você sabe, os sonhos, aconteceu de novo. Dessa vez ele virá vestido de preto. Um corvo senhor, um corvo. - Disse enquanto seguia com seu lampião com passos largos para que pudesse acompanhá-lo. 
 - Quando foi que eu disse para que não fosse? Alertei-a apenas de que as noites estão cada vez mais escuras, e os lobos cada dia mais parecem princesas pomposas em seus vestidos rosas. - Disse calmamente enquanto selecionava um livro na estante no canto extremo da sala. Ordenou à criada mais próxima que pusesse mais lenha na lareira. - Não é do frio que devemos correr, mas do que vem com ele. - Disse como que pensando alto. Deixou o candelabro na mesa próxima à sua poltrona, que por sua vez ficava bem à frente da lareira e então sentou-se com o livro à sua frente. Antes de abri-lo, cruzou as pernas, abaixou o óculos e olhou à fundos olhos enquanto disse cautelosamente. - Você é apenas uma garota, uma garota com deveres de mulher, mulher adulta, mulher vivida, mulher de bons amigos. Está no caminho certo, é claro, estou do seu lado, ao menos um amigo já tens. Acontece que o que está por vir é muito pior do que pode imaginar, se quiser mesmo se despedir terá que aprender que amor em sua vida será luxo, conforto delírio e felicidade ilusão. Sua felicidade, seu amor, seu conforto e seu maior sonho terão de ser somente sua missão cumprida, esta por sua vez não será cumprida em um ou dois anos, nem em uma década, é o legado de uma vida, e talvez até mesmo gerações, como aconteceu com seu pai que lhe deixou além do castelo e eu mais essa herança. Vá para cama, corvos são espertos, e pela intensidade desse sonho este não é dos novos. Pense melhor se quer mesmo desistir de seus vestidos, danças e penteados.