sexta-feira, 28 de setembro de 2012

eu de nome Salafrária e ela de nome Eu

Eu começo livros e não os concluo, começo amores e não os conquisto, começo músicas e não as canto, começo poemas e não os recito. Ah, quanta covardia numa só vida; só pode se dar por conta da passada, quão salafrária eu fui não? Ao menos divirto-me imaginando as peripécias que já aprontei e à quem já aprontei; assim esqueço o tanto que me aprontam por aqui. 
Quanta mentira, continuas assim, tão salafrária como na vida em que te encontrei; eu diria morte. A morte de uma vida sem cor. Eu digo logo e grito para quem tiver de ouvido afiado, odeio você e eu odeio com força maior, mas é coisa tamanha que posso até dizer que não sei o que sinto, não sei e não direi, se não sei é porque talvez nem sinta, só sei que é muito forte.


quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Primavera do GRANDE ESPETÁCULO

Corram, que os tambores se rujam, que as paginas se carreguem e as luzes se apaguem; ouvi dizer que ela tem luz própria. O espetáculo vai logo iniciar, escuso aqueles de pouca imaginação e boa índole, avisar-te-ei logo que de brincadeira não foi que veio, veio mesmo para brincar, brincar sério de divertir, para isso não hão espaços para boa camaradagem. 
Que? Quanto alvoroço, cale já a boca, fétida platéia imunda, parem já com os aplausos, ela já começou o repertório. Veja só, está quase que toda despida, espantamento é o que sinto agora, que é que foi que a fez parar? Ah sim, aquela merdinha, ela esqueceu a merdinha do detalhe, esqueceu que não poderia ter-se anunciado agora, ainda falta aquela merdinha, talvez agora que lembrou não seja mais problema, ou seja.

domingo, 23 de setembro de 2012

Bruxa re-velada.

Olhando para todo aquele monte de nada foi capaz de perceber. - Quão vazio estou? Céus, erroneamente juguei-me pronto, avante segui. O que poderia eu ter impedido se não fosse por minha pomposidade? Ah não, que é isso, almejo e logo cresço. Carecia demasias de menas confiança. Aconteceu, passou, a onda veio e como um girino fui levado. Cá estou, no centro do que chamo tormenta, tormenta de minha vida, tormenta de alma e da mente, coração, sim, coração, estraçalhado estilhaçado. Ah que é isso, fui-me realmente capaz algum dia? Ande, vá embora daqui, essa ânsia que tu me causas, essa urgência, não preciso disso, saia já, feiticeira mal encarada, farei por ti a volta da inquisição, a queimarei de meu coração.

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

É difícil me ser, duas vezes.

 Adentrando o quarto pude perceber o quão nebulosas estavam as coisas. Céus, o que aconteceu por aqui? Por Deus, abra a janela. - Não tem janela. - Ora, então acenda a luz. - Queimou. - Vamos, saia já daí, quero conversar sério contigo. - Não, somente sairei ao desentender, sairei quando já não mais houverem saídas, e então, eu, paradoxalmente (como sempre) sairei. Deixarei a nebulosidade dos fatos quando esta já tiver lhe cegado e sufocado... - Ah deixei falando, bobeira né? Creio que deva ter entendido tudo que eu a havia dito.
- Por favor, eu só não queria e nem quero brigar. Eu entendo seu lado, até por isso lhe deixo na nebulosidade, assim como você um tanto de vezes me foi eu também lhe sou mais um tanto. Entendo perfeitamente o que passas e melhor ainda que essa birra de criança logo passa e então seguiremos em frente, só não pude lhe esconder isso agora pois poderia lhe colocar contra o sol, ora essa, sou amiga dos dois, do sol e da lua, porque haveria eu te me por no meio? Não faço esse papel, sou sincera e sempre me fui, tropeço no omitir dos fatos, mas assim como você, não sou perfeita também. - Pausa para a água e para luz, é muita nebulosidade. - 
- Vá embora, estou bem na minha nebulosidade e não preciso de você, não preciso mesmo, pode ir, ande, meu cigarro, minha bebida e meu criado me são de muita melhor companhia, vá se embora e se ficar, bom, cale a boca, contigo eu só quero risos, quero que sejas sim perfeita, não pode sentir raiva, não pode tentar se manter fiel ao sol e a lua mesmo nem mesmo em tempos crepusculinos. Olhe, eu não sei bem o que quero e também não quero te explicar, por que acha que estou aqui nessa nebulosa? Eu sei que se quiser ir vá, não vou tentar me explicar, isso é papel seu, certo? Vá pode ir, não me importo se se importou o suficiente pra omitir fatos que me chateariam, não me importo se teve coragem o suficiente pra vir tentar conversar comigo mesmo em tempos tão sombrios e abafados, vá a porta está aberta e é isso mesmo, ainda bem que deu a pausa, eu não faço a mínima questão de você.
Abaixo-me a cabeça e me afasto sem que minha face agora possa ser vista de dentro do quarto. Pensando no que ouvira exatamente hoje mais cedo no nascer do sol "Não que tenha desisti, só cansei de insistir" digo, no silêncio. - E isso dói, dói como nada que já houvera sentido antes, não sei por onde começa doer e nem por onde dói mais. É tudo, a promessa de um futuro eterno desfeita. As cartas queimadas. A cumplicidade esquecida - quê? pessoas são só pessoas, se preciso de uma mulher existem várias outras no mundo. -. Mas acho mesmo que a faca sem ponta nem haste, o tétano do meu eu, é o fato de que a coisa em que mais acreditei, menos desacreditei que um dia pudesse vir a se quebrar, quebrou, não tenho base alguma para acreditar em outra coisa se quer, simplesmente desacredito até de mim, acho é que vou acordar na madrugada e me esfaquear, ou sei lá, num dia andando na rua me jogarei fora no lixo e direi - Saia, vá logo, não te quero aqui. - ou então, mais realista - tudo bem, pode ir, não sentirei falta, logo ligo para sua substituta. -. Que seja, amei, amei tanto que nunca pensei fazer defender e aceitar coisas como a fiz. Quão lindo? Ao menos posso parar de procurar por uma alma gêmea - dizem que só se encontra uma na vida -. Ao menos posso dizer que amo, que amo como nunca amei ninguém - isso não é coisa que se acabe numa vida, aliás, em vida nenhuma. -. Ao menos posso dizer que vivi intensamente, venha, quero me juntar às estrelas, nessa vida, eu quero calma, não quero encontrar amor nenhum, por favor, já tive agitação suficiente, na próxima talvez, noutro planeta; mas no momento quero apenas fazer parte de um sistema qualquer sendo uma estrela qualquer. 

domingo, 22 de julho de 2012

A verdadeira ilusão. A ilusão da verdade. I

  - A noite já caiu, os galhos estão uivando e os lobos já se esconderam, à essa hora eles já não são o mal dessa floresta. - Disse enquanto acendia outro candelabro com três velas e seguia em direção ao extenso corredor que seguia da dispensa à cozinha e então à sala. 
 - Mas eu tenho que ir. Você sabe, os sonhos, aconteceu de novo. Dessa vez ele virá vestido de preto. Um corvo senhor, um corvo. - Disse enquanto seguia com seu lampião com passos largos para que pudesse acompanhá-lo. 
 - Quando foi que eu disse para que não fosse? Alertei-a apenas de que as noites estão cada vez mais escuras, e os lobos cada dia mais parecem princesas pomposas em seus vestidos rosas. - Disse calmamente enquanto selecionava um livro na estante no canto extremo da sala. Ordenou à criada mais próxima que pusesse mais lenha na lareira. - Não é do frio que devemos correr, mas do que vem com ele. - Disse como que pensando alto. Deixou o candelabro na mesa próxima à sua poltrona, que por sua vez ficava bem à frente da lareira e então sentou-se com o livro à sua frente. Antes de abri-lo, cruzou as pernas, abaixou o óculos e olhou à fundos olhos enquanto disse cautelosamente. - Você é apenas uma garota, uma garota com deveres de mulher, mulher adulta, mulher vivida, mulher de bons amigos. Está no caminho certo, é claro, estou do seu lado, ao menos um amigo já tens. Acontece que o que está por vir é muito pior do que pode imaginar, se quiser mesmo se despedir terá que aprender que amor em sua vida será luxo, conforto delírio e felicidade ilusão. Sua felicidade, seu amor, seu conforto e seu maior sonho terão de ser somente sua missão cumprida, esta por sua vez não será cumprida em um ou dois anos, nem em uma década, é o legado de uma vida, e talvez até mesmo gerações, como aconteceu com seu pai que lhe deixou além do castelo e eu mais essa herança. Vá para cama, corvos são espertos, e pela intensidade desse sonho este não é dos novos. Pense melhor se quer mesmo desistir de seus vestidos, danças e penteados.

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Será que você ainda passa por aqui?

Estou ouvindo aquela música agorinha, me faz entrar no clima, tentarei agora questionar-lhe um pouco, preciso chegar ao menos perto do chão que pisa para que fique compreensível, por isso a música; lembra qual é? Eu não vou falar, qualquer coisa me pergunte diretamente. Quão explícita estou sendo? Quem liga? Eu não ligo, isso que me importa. Sabe, eu poderia tentar fazer algo mais organizado, menos confuso. Balela. Claro que não poderia deixar menos confuso, qualquer coisa menos alguma coisa que se relacione ao caos não chega nem perto do que você é, e do que você é para mim.
Um bom amigo. Um ótimo amigo. Um amigo do caralho. Porra, você é foda. Me fala, como consegue? Eu simplesmente não consigo compreender. E bom, à você lhe dou todos as ofensas possíveis que na verdade são incríveis e incompreensíveis elogios. Sim, tudo que lhe digo é elogio, eis uma verdade - Eu tenho inveja de você -, queria ser assim, quase exatamente como você (mas sem as bolas, risos), esse seu jeito.... Ah, que jeito? Louco? Não, muito mais que isso. Chato? Claro, você é insuportável. Amável? Além dos limites (além do que pode ser considerado apenas além dos limites). Chega, falei falei e não disse nada, estou me sentindo como aqueles brinquedos que têm um cavalo amarrado a um cabresto e ele fica andando em círculos. Isso, acho que descobri, o seu segredo é sua intensidade, continue, eu vou observando e quem sabe um dia eu não aprenda? Risos, eu te amo cara, mas sabe, é um amor puro, eu não sei explicar, te quero na minha vida, quero sempre poder ler nossas conversas extensas e deliciosas, quero sempre te odiar, quero sempre te aturar, ok? Ok.

sexta-feira, 22 de junho de 2012

A vida duma maneira um tanto quanto simples e camuflada


 Explicações não lhe são de graça, não são confiáveis e muito menos sempre bem entendidas.
 O que me acontece acontece pois tem de acontecer, ou porque acontece mesmo, não sei, risos. Mas o que eu faço acontecer é porque eu quero que aconteça. Sabe, odeio o orgulho, mas oras, que tipo de pessoa eu seria se me rebaixasse à ponto de beijar-lhe o pé? Não, mas é claro que não, eu não sou nem nunca fui aqueles que estão ao seu lado para paparicar-lhe, pegar emprestado um pouco do teu brilho natural. Em mim era real, coisas reais não precisam ser suplicadas, elas vêm naturalmente.
 Eu não entendo, porque não quero entender e já faz um tempo que não peço nem gosto de explicações, muitas das coisas que me acontecem. Mas entendo que quero ser feliz, e para isso terei de aprender a ser fria com o que não me desperta conforto.
 Por favor, deixemos as pirraças de lado, para você viver bem não é preciso que eu viva mal, apenas não te quero mais à meu lado. 
 Ah sim, não vista carapuça alguma, Estranho, o que escrevo aqui sou eu, eu e eu mesma falando comigo mesma.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Por Favor SUMA!

Eu não quero seu amor; não quero sua hipocrisia, muito menos sua mesquinharia; menor valor ainda dou à sua falsidade, cousas que coloquei depois do primeiro ponto e vírgula são os brindes que vêm acompanhando seu "amor". Pessoa de baixo calão você, do tipo mais baixo possível, nos manipula e volta triunfante com todo mérito para si mesma, se não prestarmos atenção estaremos agindo não menos automaticamente que robôs; e mais, tudo que conquistarmos você dará jeito de fazer parecer que foi com sua ajuda, semanas depois este nosso feito que você logo fez o favor de mascarar nos será jogado na face da maneira mais nojenta que um próprio escarro o seria. Ah claro, depois virá o fazer as pazes (afinal, como poderia viver você sem seus robôs operários?), tens dinheiro o suficiente para comprar o perdão alheio. EPA, quase me esqueci, tenho ódio de dinheiro, maior ainda de você e isso de perdão, ah minha gente, deixe de hipocrisia. Fique ai em seu forte que eu vou ali para o que chamas de inferno (mas que sem você é o paraíso, digo, qualquer lugar sem você o é.).

PERFEITA

Luzes são acesas da mesma forma como são desligadas - Interruptor - fora isso existe algo chamado sol, a estrela do nosso sistema solar. Feiura é apenas ponto de vista, e vendo assim talvez mentira também seja, vou-lhes contar uma história: - Dezesseis anos atrás conheci uma mulher; mulher cheia de seus próprios mandamentos e (falsas) virtudes, tentei compreendê-la, "coitadinha, passou por muita coisa difícil na vida", depois de não conseguir entender noventa por cento de suas atitudes e falatórias sistematizadas e decoradas comecei a pensar, "será eu o problema?". Ela bravava "não minta, não grite, não seja social, não isso, não aquilo, SEJA PERFEITA..." e deixava uma reticencia para o "...assim como eu sou!"; oras, como não? Mas claro que era perfeita, quase que imaculada, tão verdadeira (comecei a pensar que as mentiras que ela dizia, no mundo dela eram verdades), tão pura (só falava palavrão nas horas de extremo nervosismo, uau, agora temos um exemplo à ser seguido!), tão calma (ela é calma, nós que a estressamos), tão correta socialmente (imagina se perde tempo comentando a vida alheia), de fato exemplar, pregava somente o que fazia (só que ao contrário). - Tá ai, linda história não? Acabei de inventá-la, imagina só se existisse mesmo uma mulher como essa em minha vida, eu teria constante vontade de cometer suicídio. Risos, muitos risos.

oito anos atrás

 Dinheiro não me é necessário nem muito menos estimado e cobiçado. Quero mesmo é um manual; manual da vida. Acho isso de viver cousa das mais difíceis, corrijo-me, acho isso de viver a cousa mais difícil das cousas difíceis. Ninguém soube me ensinar até então, ando por ai encontrando um milhão de espelhos, nenhum perfeito, corrijo-me novamente, não procuro por perfeição, procuro por felicidade, redigindo: , ando por ai encontrando um milhão de espelhos, nenhum feliz. 
 Começou a doer, a ferida foi rasgada oito anos atrás, desde então ando pelo mundo cheia de remendos, e daquele dia em diante percebi o quão ignorante sou, o quão somos; oras, vamos lá, só me peço que me ensine a viver, não me ensine com falatórias interminavelmente tediosas, ensine-me com atos, sem saber que é meu tutor; ensine-me a voar como por instinto uma mãe ave ensina para seu filho ave. É mesmo pedir muito?
 Há tempos perdi a esperança, e agora, de ano em ano, não consigo me conter (isso está ficando pior à cada ano), aquela ferida de oito anos atrás arde, coça, sangra, jorra sangue, sangue pisado, podre e infectado; infectou-me por inteira, já não tenho mais cura; já não comemoro anos de vida, comemoro um ano a menos; e enquanto o fim não chega vou indo arrastando-me à linha de chegada com meu sangue marcando meu infeliz caminho.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Você me fez assim.

Calada sou, certa estou.
Abro-me, corrompo-me.
Seus valores, meus valores. Num só, mescla de certo errado e nada disso.
Consentimentos ocultos, olhares disfarçados e lágrimas reprimidas.
Ah, essa música é tão boa. Ao menos não preciso que me ouça, apenas à escuto; percebo a compreensão.
Um cobertor, um play e um drama, muito drama.
Eu tento, tento mesmo, mas estou cansada de ter que ser mais madura do que sou.